10.2.10

mais concordâncias enfáticas

mas desta vez com os posts completos, sobretudo com aquilo que "boldo"
Forma e conteúdo: É a luta do momento: forma e conteúdo. João Pinto e Castro diz — e diz bem — que "uma das ideias básicas do Estado de Direito é que não há factos com relevância jurídica fora dos procedimentos aceites para os apurar". Se isto permite condenar a divulgação de escutas, não permite ignorar o óbvio: a divulgação existiu e agora não há como não lidar com o facto da sua divulgação. O formalista rejeita discutir o conteúdo por causa do modo como ele surgiu, isto é, lida com a divulgação recusando-se a comentar o que é divulgado. Mas esta posição é contraditória: não podemos responder a uma realidade negando a sua existência. Insistir na pureza da forma é um suicídio político.
Factos e interpretações: Neste debate entre Vera Jardim e Morais Sarmento temos duas posições que valorizam o que noticiou o Sol. Mas, lá está, há valorizar e valorizar. Enquanto que Vera Jardim reconhece o óbvio — este ambiente é insustentável e é urgente que se faça luz sobre isto para que estas questões se esclareçam — e se cinge aos factos, Morais Sarmento vai para além dos factos conhecidos e tenta transformar aquilo que é sua interpretação num veredicto definitivo sobre a culpabilidade do primeiro-ministro. Morais Sarmento já sabe o que aconteceu, e por isso acusa: Sócrates faz o mesmo que Chavez e Berlusconi. Quem fala assim não tem o direito de dizer que fala em nome do Estado de Direito.

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