5 years ago
12.2.10
11.2.10
what's in a name?
- a mãe diga que é minha mãe que ele gosta, ele é alentejano... tem sempre muito trabalho...
pode ser que desse modo vá mais depressa.
assim fiz.
- olhe bom dia, eu sou a mãe da joana freitas (nome fictício) ...
- ah, a mulher do sr. manuel freitas (nome fictício), o filho da sra. d. ...
- luísa? (nome fictício)...
- pois, da sra. d. luísa freitas. luísa freitas bettencourt (nome fictício)...
aprazado o dia e a hora para o arranjo da máquina de lavar:
- fica então combinado para sábado, está bem sr. antónio lopes (nome fictício)?
- pode contar comigo. e qual é o nome da senhora?
- ana seixas (nome fictício).
- ah é um nome muito relevante... mesmo relevante...
- relevante?
- sim é um nome muito importante... de muito peso, relevante!
- e eu só lhe disse o primeiro o o último...
- seixas é um nome muito relevante...
- se calhar o sr. conheceu foi um avô meu que foi um escultor conhecido, seixas da silva (nome fictício)?
- talvez... seixas da silva...deixe lá ver...
- mas então posso é contar consigo no sábado? e depois aproveita para ver também o frigorífico, não é?
- sim sra. d. ana seixas, no sábado vimos isso tudo.
pode ser que desse modo vá mais depressa.
assim fiz.
- olhe bom dia, eu sou a mãe da joana freitas (nome fictício) ...
- ah, a mulher do sr. manuel freitas (nome fictício), o filho da sra. d. ...
- luísa? (nome fictício)...
- pois, da sra. d. luísa freitas. luísa freitas bettencourt (nome fictício)...
aprazado o dia e a hora para o arranjo da máquina de lavar:
- fica então combinado para sábado, está bem sr. antónio lopes (nome fictício)?
- pode contar comigo. e qual é o nome da senhora?
- ana seixas (nome fictício).
- ah é um nome muito relevante... mesmo relevante...
- relevante?
- sim é um nome muito importante... de muito peso, relevante!
- e eu só lhe disse o primeiro o o último...
- seixas é um nome muito relevante...
- se calhar o sr. conheceu foi um avô meu que foi um escultor conhecido, seixas da silva (nome fictício)?
- talvez... seixas da silva...deixe lá ver...
- mas então posso é contar consigo no sábado? e depois aproveita para ver também o frigorífico, não é?
- sim sra. d. ana seixas, no sábado vimos isso tudo.
na boca de um suicida,
Ni una sola estrella quedará en la noche.
La noche no quedará.
Moriré y, conmigo, el peso
del universo intolerable.
Borraré las pirámides, los medallones,
los continentes y las caras.
Borraré el pasado acumulado.
Haré polvo de la historia, polvo del polvo.
Ahora estoy mirando el atardecer final.
Estoy oyendo el último pájaro.
Lego nada a nadie.
La noche no quedará.
Moriré y, conmigo, el peso
del universo intolerable.
Borraré las pirámides, los medallones,
los continentes y las caras.
Borraré el pasado acumulado.
Haré polvo de la historia, polvo del polvo.
Ahora estoy mirando el atardecer final.
Estoy oyendo el último pájaro.
Lego nada a nadie.
Jorge-Luis Borges
No stars in the sky.
No night.
Me dead and the sum
of the hateful universe.
Pyramids, medals,
continents, faces, gone.
The past, gone.
Dust is history, dust of dust.
The last sundown.
Last bird.
I leave nothing to no-one.
tradução de Christopher Mulrooney
No night.
Me dead and the sum
of the hateful universe.
Pyramids, medals,
continents, faces, gone.
The past, gone.
Dust is history, dust of dust.
The last sundown.
Last bird.
I leave nothing to no-one.
tradução de Christopher Mulrooney
na boca de uma andorinha,
o provérbio deixa de ser estúpido ao admitir que é por morrer a andorinha que acaba a primavera.
10.2.10
mais concordâncias enfáticas
mas desta vez com os posts completos, sobretudo com aquilo que "boldo"
Forma e conteúdo: É a luta do momento: forma e conteúdo. João Pinto e Castro diz — e diz bem — que "uma das ideias básicas do Estado de Direito é que não há factos com relevância jurídica fora dos procedimentos aceites para os apurar". Se isto permite condenar a divulgação de escutas, não permite ignorar o óbvio: a divulgação existiu e agora não há como não lidar com o facto da sua divulgação. O formalista rejeita discutir o conteúdo por causa do modo como ele surgiu, isto é, lida com a divulgação recusando-se a comentar o que é divulgado. Mas esta posição é contraditória: não podemos responder a uma realidade negando a sua existência. Insistir na pureza da forma é um suicídio político.
Factos e interpretações: Neste debate entre Vera Jardim e Morais Sarmento temos duas posições que valorizam o que noticiou o Sol. Mas, lá está, há valorizar e valorizar. Enquanto que Vera Jardim reconhece o óbvio — este ambiente é insustentável e é urgente que se faça luz sobre isto para que estas questões se esclareçam — e se cinge aos factos, Morais Sarmento vai para além dos factos conhecidos e tenta transformar aquilo que é sua interpretação num veredicto definitivo sobre a culpabilidade do primeiro-ministro. Morais Sarmento já sabe o que aconteceu, e por isso acusa: Sócrates faz o mesmo que Chavez e Berlusconi. Quem fala assim não tem o direito de dizer que fala em nome do Estado de Direito.
Forma e conteúdo: É a luta do momento: forma e conteúdo. João Pinto e Castro diz — e diz bem — que "uma das ideias básicas do Estado de Direito é que não há factos com relevância jurídica fora dos procedimentos aceites para os apurar". Se isto permite condenar a divulgação de escutas, não permite ignorar o óbvio: a divulgação existiu e agora não há como não lidar com o facto da sua divulgação. O formalista rejeita discutir o conteúdo por causa do modo como ele surgiu, isto é, lida com a divulgação recusando-se a comentar o que é divulgado. Mas esta posição é contraditória: não podemos responder a uma realidade negando a sua existência. Insistir na pureza da forma é um suicídio político.
Factos e interpretações: Neste debate entre Vera Jardim e Morais Sarmento temos duas posições que valorizam o que noticiou o Sol. Mas, lá está, há valorizar e valorizar. Enquanto que Vera Jardim reconhece o óbvio — este ambiente é insustentável e é urgente que se faça luz sobre isto para que estas questões se esclareçam — e se cinge aos factos, Morais Sarmento vai para além dos factos conhecidos e tenta transformar aquilo que é sua interpretação num veredicto definitivo sobre a culpabilidade do primeiro-ministro. Morais Sarmento já sabe o que aconteceu, e por isso acusa: Sócrates faz o mesmo que Chavez e Berlusconi. Quem fala assim não tem o direito de dizer que fala em nome do Estado de Direito.
9.2.10
concordo enfaticamente
com esta análise na qual se afirma que "a opinião, em Portugal, se deixou barricar entre os que são contra o eng. Sócrates (e usam tudo para o atacar) e os que o defendem a todo o custo (e usam tudo para o justificar)".
e confesso discretamente as dificuldades morais e políticas (se é que não são exactamente as mesmas) que tenho sentido, a nível pessoal e subjectivo, em escapar a este absurdo clima maniqueísta fomentado pela gritaria barata dos Media e pela silenciosa transformação, no parlamento, dos "partidos da oposição" na Oposição.
e confesso discretamente as dificuldades morais e políticas (se é que não são exactamente as mesmas) que tenho sentido, a nível pessoal e subjectivo, em escapar a este absurdo clima maniqueísta fomentado pela gritaria barata dos Media e pela silenciosa transformação, no parlamento, dos "partidos da oposição" na Oposição.
uma cõ tradição viva
apesar de - e certamente devido ao meu horror
por todas as formas de omnipotência - desgostar que os vivos se arroguem o
direito de determinar o que “deve” acontecer, depois e em consequência da sua
morte (da distribuição dos bens e dos males, * passando pelo tratamento e
posterior descartamento dos restos mortais,** até ao planeamento e gestão da
cerimónia fúnebre***) acontece-me sonhar com a maravilha que seria a minha despedida do
mundo – oh diabo, isto é perspectiva de vivo, nesse momento será só o “mundo” a
despedir-se de “mim” - se ela fosse celebrada ao som leve, fresco e borbulhante, absolutamente cristalino,
das gargalhadas da minha neta mimi.
* no entanto agrada-me a ideia de deixar previamente pago o funeral.
** mas prefiro o processo lento da decomposição ao momento fulgurante
da incineração.
*** ainda que preferisse ser eu a única decoradora da minha última sala de visitas.
7.2.10
reposição da ordem
a esplanada do jardim da estrela reabriu: lá fora são apenas as clássicas mesas e cadeiras de metal, verde-escuras e soltas umas das outras; dentro, é a madeira, de cores e formas diferentes, num estilo sem estilo, que mistura country, alternativo, vintage, veggie e, creio, é o responsável pelo ligeiro ar de desmazelo do novo espaço, apanágio de qualquer sala realmente confortável; há revistas num carrinho, sopa e pratos relativamente baratos e muito possíveis. mas o teste final só acontecerá com o pequeno almoço, no próximo domingo.
o fazer do fazer
eu faço como a minha mãe fazia e a mãe dela recomendava às filhas, e às filhas das filhas, que fizessem no que fizessem. como é de fazer entre nós, pequenas mulheres de grandes sabedorias.
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