9.4.10

facebook

e depois ainda há o FB. em cujo território me aventuro raramente mas sempre produtivamente na medida em que não há incursão que nele faça que não me mostre de onde me vem o medo de lá entrar: primeiro descobri, com espanto aflito, que não havia um chão estável onde pudesse parar, à chegada, quanto mais voltar a pôr os pés no mesmo sítio - o FB é um rio sempre  a correr mas sem destino certo; depois ouvi a algazarra das vozes - uma multidão de pessoas, todas minhas conhecidas mas desconhecidas entre si, a falarem animadamente das coisas mais díspares que imaginar se possa - o FB é uma feira de aldeia onde conhecemos toda a gente mas ninguém em particular; finalmente hoje descobri que não posso lá entrar sem ser vista por todos quantos lá estão nesse exacto momento (e está sempre alguém) e, o que é mais terrível para a minha incapacidade social, ser interpelada - o FB é um pbx (ainda existe tal coisa?) sem operador, razão pela qual qualquer chamada, feita ou recebida, é susceptível de ser interrompida a todo o momento por uma outra chamada - nesta última experiência ainda consegui manter, durante minutos, conversas, em separado, mas ao mesmo tempo, com uma amiga, uma sobrinha, uma neta e um ex aluno, mas a certa altura, a conjugação entre o medo de uploadar para um o que era destinado a outra, a aflição por deixar três penduradas por estar a atender a um, a vergonha por me enganar em todas as mensagens no desejo de escrever rápido,  levaram me a fugir a sete pés sem me despedir de ninguém e convencida de que só mentes muito jovens ou muito flexíveis têm estaleca para aquilo. o FB não é para velhos...
só a imobilidade silenciosa deste blog me convém.

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