17.4.10

foi a meio da noite

que o analista entrou pelo quarto adentro, e, depois de encostar à parede o grande espelho que levava com ele, se foi sentar na borda da tua cama, pedindo para ver a casa.
o grande desarrumo e a sujidade acumulada, iluminadas por um sol primeiro e filtrado pela qualidade inefável das teias de aranha que rendilhavam a totalidade vertical e horizontal de salas e corredores, era uma imagem de tal forma esplendorosa que acabaste por não ver, no espelho, como eras vista. uma oportunidade perdida.

4 comments:

  1. E porque é que o como sou vista me revelaria o segredo da vida?

    ReplyDelete
  2. Finalmente já se pode entrar aqui como ervas nascidas dos sentidos

    ReplyDelete
  3. boa sagnipas!
    então ver como se é visto não é ver o que nenhum mortal jamais conseguiu ver? não é a face de deus, não é vê-lo face a face? e ver a face de deus não é perceber, finalmente, o que distingue a morte da vida, o que separa os mortais dos imortais?

    ReplyDelete
  4. Então foi realmente uma oportunidade perdida se é que alguma vez ela existiu

    ReplyDelete

Note: only a member of this blog may post a comment.