24.1.10

confúcio, valéry et moi

digo outra vez que desgosto de convicções e outras convictas opiniões. isto é, desgosto de quem sobre tudo tem uma opinião, de quem sobre tudo e todos a mantém, dos que são mais pequenos do que as suas opiniões, dos que as preservam das opiniões alheias, dos que não mudam de opinião nem dela se fartam ou descartam. 
daí o entusiasmo ao encontrar, em paul valéry (aqui citado), a mesma rejeição pelas pessoas "que se confundem com as opiniões que lhes ocorrem" ou, noutra formulação, pelas "pessoas dotadas de convicções e fés". 
muito à semelhança de confúcio (无可无不可), valéry descreve-se: "mas eu me distingo das minhas, e isso é quase o que me define. sou aquele que não é / não sou / o que lhe ocorre." 
bonito não é?

6 comments:

  1. Recordo-me de já a ter lido a este respeito e de na altura ter achado graça à filosofia de liberdade da mente proposta pelo mestre chinês que para mim, ignorante no pensamento oriental, me parecia ser mais tradicionalista e até retrógrado. Leitora Silenciosa

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  2. pois, acho que é essa a imagem que geralmente se tem de confúcio. mas sabe há tantos tantos confúcios e tão diferentes entre si que se calhar, como dizia um sinólogo japonês, a única forma de de trabalhar é falar de um de cada vez. eu, sempre que aqui falei dele, referi-me ao professor de meia idade envelhecida, professor de candidatos a governantes, com aspirações a ocupar um cargo político, para pôr em prática as suas ideias políticas, mas também com dúvidas a esse respeito. numa palavra, a humaníssima personagem "confúcio" do lunyu (traduzida geralmente por analectos de confúcio), obra atribuida a discípulos e discípulos de díscípulos, que é o texto historicamente mais perto da personagem histórica. não sei se lá aparece como tradicionalista ou retrógrado. porque não o lê para avalair por si própria?

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  3. Teste: acho lindo, que será das minhas opiniões?

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  4. é por isso e para isso que somos múltiplos e muitos (confúcios?) cá em casa, penso eu brrr de que... brrr

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  5. a propósito cá da casa, brrr do rais ma parta, desculpa gv, estou com problemas sérios. 'porque é que essa gaja do ... , essa gv sem do, não me publica os versos, hem?' grita-me furiosa a 'amiga' rimalhadeira que com versalhada coxa 'arrasou', diz ela, os meus comentários ao post 'publicidade enganosa'. e insiste, entre palavrões de 'arrasar': 'também não publicou um comentário da tua querida timoni, outra tinhosa com quem não falo, não gosta de mim, a pqap, mas disse-mo a lá, e tu meu idiota dum c. nicles, moita carrasco. podias ao menos mandar de novo essa m. dos versos, a gaja perdeu-mos ou assim, não sei, a pqap'. que fazer, gv querid@, que já não posso ouvir esta vg? ah! lá é como ela chama a irmã, a bela clara dos meus encantos.

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