21.1.10

publicidade enganosa


inesperado nome para empresa que trata dos nossos restos mortais; bizarra palma do triunfo (ou do martírio) interrompendo a unidade da palavra ao separar graficamente o tri do unfo. a morte com um triunfo? sim, é possível ver a morte como um triunfo sobre a vida. a morte como um unfo? também talvez se possa pensar na morte como qualquer 'unidentified non-flying object'. e o tri, tem a ver com as pessoas da trindade cristã ou com o pequeno veículo budista, um triciclo?
só pelo recurso à simbologia cristã consigo reduzir parte do espanto da minha amiga chinesa: é mais a vitória da vida do espírito sobre a vida do corpo, o triunfo da eternidade sobre a história; é também a prometida ressurreição dos mortos. olha, no fundo é a garantia da tua e da minha imortalidade, da imortalidade das almas de todos os corpos que, depois de mortos, aqui forem descartados e, por esta empresa, reciclados em espíritos.

14 comments:

  1. eu concentro-me é na grafia: a palma parece fazer o acento no u, sendo triúnfo! é uma espécie de design ortográfico desnecessário.

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  2. bem visto e concentrado!

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  3. Design ortografico é boa, mas, por antigo motivo profissional por alguens conhecido, atento leitor de anuncios de agências funerárias, em particular nas páginas amarelas, muito personalizadas,portanto protetoras e reconfortantes,acho que ainda é mais do que isso, sem deixar de o ser.A palma e a designação têm realmente a ver com vitórias, só que aí eu paro por falta de elementos, embora as sugestões de gv nos dêm, possivelmente, a orientação.

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  4. sou o brrr e vou ver se entendo. a morte será portanto um unfo, objecto não- voador e não-identificado. mas o tri resolve o problema da identificação do objecto: para indús é um triciclo e para cristãos é a santíssima trindade. donde se conclui que a morte, por ser tricículo ou trindade, ambos não-voadores, constitui o triunfo do espírito sobre a carne, da eternidade sobre a história, a ressurreição dos mortos e, no fundo, a garantia da nossa imortalidade. sinto-me brilhante, bright, mas confesso que um tanto baralhado. brrr brrr brrr

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  5. ó diabo! este blogue é que não há meio de atinar com o design! sou só eu ou agora as letras estão mais pequeninas?

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  6. brrr não há melhor do que haver quem nos desarrume as ideias que temos arrumadas. podes então agradecer-me esse papel de inquietadora mental.
    rosava: é verdade, nem com o design nem com tanta outra coisa, modera comments, hida comments, showa comments, troca e destroca foto, embebe flickr ou repõe slideshow (aqui PQzfoi precioso). mas também ando, desde que cheguei, em activa fase de decisões e revisões (que a minute will reverse claro) e alguma coisa desse agitado processo interior se há-de reflectir no exterior. mas é sem história já que tudo voltará a acalmar. não é que quando dois princípios opostos se encontram no tempo eles se transformam um no no outro? eu até já sinto a tranquilidade a formar-se, ainda invisível, no seio, da agitação...
    as letras do blog voltarão a crescer!
    só os beijos que mando são sempre do mesmo tamanho - enormes; e design - disformes e multiformes.

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  7. eu brrr peço desculpa mas acho que essa baralhada mental - de a morte, triciclo ou trindade, constituir o triunfo etc. e de a ressurreição dos mortos ser a reciclagem dos nossos corpos mortos em espíritos (santos?) - pode confortar crentes mui crédulos mas não inquieta minimamente, só faz é rir o incréu que sou. brrr

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  8. Brrrr vai mesmo no bom sentido, a meu ver. A haver triunfo parece-me ser no sentido que sugere, que surge de continuidade ,julgo (?).
    Rosava queixa-se, se é que se queixa,de pouca atenção dada ao design ortográfico ou das alterações, como que em ralhete. Se neste aspeto terá razão, noutro qualquer não me parece...Pessoalmente vou-me "divertindo " com as páginas amarelas,
    enternecedoras de grau de personalização preventivo/postuma, mas que até podem chegar a criar laços eternos, triunfantes ( e muita, muita taxa de lucro aqui e agora,a subjacente polémica está longe de resolvida, daí o lucro preventivo, Já). Cheirito de análise marxista que não deve ser excluida ( eu sei, é mais valia, mas repugna-me empregar termo tão rasteiro em matéria de tão inerente grandeza e eventual altitude).

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  9. Não vejo baralhada, mas aceito, com a participação de brrr. Baralhada ou não o assunto não tem solução agora, temos de aguardar os momentos oportunos.

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  10. eu brrr casmurro, desculpa gv, não vou em BOM sentido nenhum. a morte é a coisa mais natural do mundo - tudo morre, tudo continua (continuidade neste sentido, concordo) - mas morrer não é triunfo para ninguém, é sim uma tragédia, A tragédia final para quem morre. as embrulhadas com que as religiões, todas, tentam alindar a tragédia não são aceitáveis pela razão - un point, c'est tout. posto isto em pratos limpos (a propósito, aínda não lavei a loiça), espero ansioso aquela usual frase brilhante da minha outra leitora, que, em nome do género maioritário e redentor da humanidade, nos possa ajudar a aceitar o inaceitável: 'a única solução é morrer', escreveu pessoa. 'mestre, para onde vai alma depois da morte?' terá perguntado um discípulo a confúcio, que retorquiu: 'para onde vai o fogo depôs de a sarça arder?'. brrr
    maioria

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  11. sinto-me ultrapassada pelos diferentes comentários todos mais ou menos a sério. na verdade, passando numa rua, com uma amiga chinesa, vi este letreiro anunciando uma agência funerária - onde dantes creio que era a velha agência Barata - cujo nome me divertiu pelo óbvio desajuste ao negócio da empresa. fotagrafei o insólito da coisa, enquanto a minha companheira de passeio, ainda mais espantada do que eu me fazia perguntas em quantidade. às quais fui respondendo tentando fingir que me punha no papel do cristão e com referências búdicas pelo meio.
    em suma, julguei que quem lesse achasse alguma graça à falta de adequação entre o nome e a coisa. não pensei que suscitasse complexas elaborações religiosas, fisolóficas e existenciais.
    a não ser que tenham os meus comentadores estado a gozar com os seus comentários como eu gozei com o post...

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  12. ah efe e li o valupi sobre a blogosfera que muito me agradou. inteligente à brava, muito bem escrito. vou ficar cliente. um beijo pela dica.

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  13. brrr de novo pra ganhar o 13. comentário (é obra, parabéns gv) e dizer:
    1.darei recado ao efe, que passa muito cá por casa;
    2.foi gozada a conversa. gostei. googlei e encontrei dois outros nomes giros, banda d'além e último toque. triunfo refere triunfo de cristo sobre a morte ao ressuscitar;
    3.ocupado na net, foi a clara afinal que lavou os pratos, aquele anjo. eu limpei.
    brrr

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  14. brr outra vez!
    se dizê-lo me coubesse e coubesse no gv, diria ainda: não à morte porque não há morte, como não há fogo, há é coisas que ardem e plantas animais pessoas que vivem e morrem, cumprido que foi o ciclo natural. o drama de morrer é sabê-lo, é a consciência que cria o horror, a tragédia do fim. vencer a morte é negá-la: não há morte que me mate, sou eu que morro porque vivi. vivi, amei, ardi e vou apagar-me naturalmente quando nada tiver para arder. até lá, viva viver, viva amar, viva 'gloriar' (obrigado gv)! brrr

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