11.7.07

bebés unidos jamais serão vencidos

o slogan, corrente na terceira geração da minha família, vem a propósito da notícia, outra, sobre o envelhecimento da população portuguesa. é um alarmismo que não me consegue alarmar porque o sinto baseado numa visão do mundo que não me parece corresponder à realidade deste. os resultados dos estudos produzidas pela demografia, ciência que, como as outras, não é abstracta nem objectiva, dependem necessariamente do ponto de vista adoptado. no caso da sociedade portuguesa, é preciso saber quem é que o estudo define como 'português'. a notícia do público não nos esclarece se o número de bebés que "faltam" este ano e que tornam este país no sétimo mais envelhecido do mundo, inclui os bebés aqui nascidos de mães com nacionalidades não-portuguesas (países africanos, europeus, asiáticos, sul-americanos, etc). se não incluir, como é minha convicção, nada garante que a substituição das gerações não esteja a ser feita na sociedade portuguesa. basta pensar em dados empíricos como este que me é familiar: se as mulheres de nacinalidade portuguesa podem, como diz o estudo, ter adiado a maternidade e tido menos décimas de filhos, este ano em relação ao ano passado, as mulheres de nacionalidade chinesa, que, na china, por razões conhecidas, só tinham um filho e geralmente bastante tarde na vida, passaram, ao tornarem-se membros da sociedade portuguesa, a ter vários filhos e numa idade mais nova. em resumo, se as contas forem feitas no quadro de uma demografia social (isto é, inclusiva) e não nacional (exclusiva de todo um sector da sociedade) talvez não nos faltem bebés. ou pelo menos, talvez não faltem tantos.