9.4.10

flickr-blog

muito engraçada a diferença entre as atitudes implicadas/proporcionadas pela manutenção destas coisas a que chamamos blogflickr: no primeiro caso sou quase sempre eu a interpelar o mundo, no segundo é sobretudo o mundo a interpelar-me a mim. *


*se, como acredito, o "eu" é (parte integrante d)o mundo, esta distinção não faz qualquer sentido. é um "supônhamos"...

7.4.10

"spastic food era"

esta obsessão ainda não me atingiu. mas também conheci um doente dela.

ida e volta

umas vez declino nomes - quase todos de mulheres, muitas vezes o dela, mas também de um ou outro homem (neste caso variando entre o apelido, o nome próprio e o termo de parentesco), de cães e até de países e cidades ambitados por ambas.
ontem, sob a recente inspiração do pure land budhism, repeti prolongadamente 'amithaba' até que a certa altura dei comigo a visualizar o que aconteceria caso o mantra produzisse o efeito pretendido por todas as conversas; então parei de repente com a lenga-lenga: "espera, se for mesmo para acordar, não abras já os olhos, deixa-me passar para outra coisa, uma ave-maria por exemplo, sob risco de muitas coisas perderem o sentido".
sinto-me cada vez mais a falar com um bebé revivendo a única experiência que tenho de conversar com pessoas que não me respondem. o sentimento deve ser tão forte que já me ouvi a auto referir-me na terceira pessoa...
também as festas que lhe faço são as festas que fiz/faço aos bebé da minha vida ou que estão por minha conta; e acompanho-as instintivamente pela toada do hmmmmmm (o 'm' é a nasal do deleite...) quando a quero embalar no sono ou, se é para a acordar, com as suaves e convencionais admoestações do tipo 'então isto é que é preguiça, vamos* lá a abrir os olhos..."

* só agora, na forma escrita, noto a forma plural do verbo usado (e não posso deixar de repetir, oralmente, incrível, incrível...)

confirmação/inquietação

não sou um caso raro, também a minha amiga l., depois de o pai ter morrido, passou a tratá-lo por 'tu'.*


* mas, nesta questão das formas de tratamento, o que agora me confunde verdadeiramente é o significado do meu progressivo e meio inconsciente deslizar para o 'tu' durante as conversas com a amiga viva que há duas semanas deixou de me responder. 

mindscape


6.4.10

阿弥陀佛

amituofo!

5.4.10

hoje faz anos que...

...

PS. há já anos que todos os dias do ano são dias de anos

memória (do reino do sião)


um dia, duas questões

a ipseidade, isto é, a qualidade de me representar a mim própria como permanecendo a mesma apesar das mudanças que me afectam o corpo (e a alma, o efeito "psi" do corpo?) e a necessidade de me constituir a mim própria, isto é, o desejo de me inventar sem modelo nem destinatário.

4.4.10

o sr. barão

um rio de água muito escura e brilhante na qual muitas e desvairadas pessoas se banhavam deliciadas. talvez mais uma estrada larga de mar nocturno, via líquida mas a descer como só um rio pode descer.
entre os banhistas, que discutiam com intermitente vagar o que poderia vir a ser uma poética da relação, ninguém parecia notar a presença de um barco imenso, atracado ao cais da universidade, cujo dono, um pequeno português sem pátria, casado com uma inglesa, estava ausente em parte incerta.