6.5.08

n. adopta escrita fonética nos sms

liguei a uma amiga de 72 anos (neste caso a idade conta). o tm tocou tocou e ela não atendeu. pouco tempo depois recebo um sms (o que não estranhei pois a tinha ouvido dizer antes que até já sabia mandar sms).
no entanto, o facto de ela escrever (sic) "kem ex?" não deixou de me surpreender. mas respondi, como se nada fosse, com um "sou" seguido do meu nominho. não mais me deu troco.
à noite insisti pois precisava mesmo de falar com ela. dessa vez desligou-me o telefone. ainda sem saber por onde começar a pensar no que fazer a seguir, recebo um sms idêntico ao da manhã, ao qual voltei a responder, assim dando origem a este brilhante diálogo:
kem ex?
sou a (seguia o meu nominho)
dkpl, nao kunhexu...podx dizer u nome todo?
aqui começo a debater-me entre a preocupação com a saúde mental da minha amiga e uma imensa vontade de lhe responder à letra com um enormíssimo "rax t parta" no que sou interrompida por novo e imperativo sms:
rexpod...
foi a gota de água - ou melhor, de luz - na minha cabeça às escuras. isto não pode ser a minha amiga: ou ela perdeu o telemóvel ou eu tenho o número errado. depois de um telefonema a um amigo comum confirmar que o engano era meu, não me rextava outra koisa a fazer senão pedir dkpl. o que, contrariada, achei que devia fazer em "bom" português:
desculpe. enganei-me no número.

5.5.08

bandeiras negras



voltaram os jacarandás













que nesta cidade, todos os anos por esta altura, me fazem lembrar-esquecer
as acácias que, noutras alturas do ano, enchiam de vermelho as outras cidades.

cineastas, arquitectos, comunistas e tradutores

quem viu o night train, do diao yi'nan (filme chinês que infelizmente apenas recebeu uma menção honrosa no indie 2008) tem aqui uma bela revisão do filme. assim como a transcriçãoo de algumas palavras ditas em putonghua pelo seu realizador e traduzidas para português por esta fotógrafa-tradutora. ou tradutora-fotógrafa?*

* dúvida que não pode deixar de me remeter para a tese até hoje defendida à outrance por um velho amigo, arquitecto e militante do partido comunista português: ele seria um arquitecto comunista ao arrepio da maioria dos seus colegas de profissão e camaradas de partido que se considerariam comunistas arquitectos.

3.5.08

chegar ou não chegar is not the question

reencaminhei a um amigo o link de um post, aqui publicado, porque a história que nele contava tinha a ver com a profissão dele. no assunto escrevi: "não resisto a mandar-te conversa", em vez de "não resisto a mandar-te esta conversa", como era minha intenção. o que, mesmo sem pontuação, fez do substantivo um verbo e ainda por cima no modo imperativo.
ontem recebi um email no qual ele me pedia desculpa pela demora (na 'conversa'), referia uma nabice natural que o impede de colocar comentários no blog, elogiava umas fotografias aqui publicadas (raramente oiço elogios sem achar que estou a ser gozada), dizia duas ou três coisas doces e simpáticas (mais provas que por aqui andou), e terminava com o seguinte voto: "espero que te chegue".
como quero sempre "mais" de algumas pessoas da minha vida, ri-me com o desabafo (que achei divertido porque adequado a essa minha insaciabilidade selectiva) e apressei-me a responder-lhe dizendo, a brincar mas muito a sério, que era claro que não chegava, que se nunca tinha chegado antes porque havia de chegar agora, que nunca chega, etc. e tal.
hoje novo email do meu amigo vociferando contra a língua portuguesa que me permite ler 'que te chegue' como 'que te baste' quando ele tinha escrito 'que te chegue' na acepção de 'que recebas'; e comentando que sabe de mim o suficiente para saber que eu "não me contentaria com tão pouco" (deduzo que seja ao email que ele se refere).
fui então reler a nossa troca de emails e percebi que (1) num deles deixei de fora uma palavra que devia estar lá dentro (o que forçou o pobre a ler-me para não ser indelicado); (2) no outro meti lá dentro um sentimento que estava de fora (o que o obrigou a justificar-se de um "pecado" não cometido). ESTOU ENVERGONHADA.

2.5.08

sms

qual é a diferença entre o sonhar acordada ou a dormir? (algum) controle?

1.5.08

!viva o primeiro de maio!



dia do trabalhador comemorado
a trabalhar, privada e individualmente, nos meus aposentos (de trabalho).

na minha frente, esta reprodução de "operários", uma pintura da chamada 'fase social' da artista brasileira, tarsila do amaral (1886-1973).

grande 25 de abril

que só aqui neste bloguinho fez acordar dois links há muito adormecidos:
- o BUBA, que não postava desde o dia dos namorados (o que só prova o acerto do autor na escolha das melhores datas do ano)
- o ABREMARTA, fechado desde janeiro, depois de a autora o ter aberto para um filtro solar.
isto quer dizer que o 25 de abril conseguiu re-animar nada menos do que 2/5 do total de blogs linkados neste blog! nada mau...

30.4.08

aposentada

agora quase depois de, na 5 de outubro, ter assinado um papel a dizer que aceito aposentar-me nos termos da lei não sei quantas de não sei quantos de fevereiro.
como não li a dita lei não faço ideia dos termos por que se irá fazer a minha aposentação. só sei, e isso me basta por ora, que dentro de dias me retiro para os meus aposentos.

pilates

tenho dificuldade em dizer, a quem me pergunta o que é que lá faço, o que realmente faço lá. já ouvi falar em 'ginástica', em 'alongamentos' , e também em 'exercícios' ou 'treino muscular'. mas 'pilates', seja lá o que realmente for, é para mim, o supremo prazer da redução ao essencial. uma espécie de back to basics no sentido de retorno a uma vitalidade inicial que julgava perdida.
durante uma hora e meia, todas as semanas, sem dor nem esforço (a não ser financeiros) torno-me na minha própria respiração. fico literalmente reduzida ao levíssimo movimento do corpo a inspirar e expirar ritmadamente. a repetida alternância entre a expansão e a contração cala o eu-mental e assim amplifica, faz ressoar, a voz do eu-vital. que não é senão a música silenciosa do abrir-se e do fechar-se, do abrir-se e do fechar-se, do abrir-se e do fechar-se.