28.6.10

(des)encontro

9:30. rossio da trindade, café baluarte.
sentada na esplanada à espera da bica, vejo o sr. martins sair da sua loja electrodoméstica e dirigir-se-me de mão estendida:
ele - então como está?
eu - com muito trabalho...
ele - vê-se pela mão!

27.6.10

solitária (des)ventura

num deserto atulhado de gordas caixas de cartão (no interior das quais repousa uma casa inteira por montar), de latas de tinta e de rolos e de trinchas, de magras caixas de cartão (imported from italy) no interior das quais permanece uma canalização-promessa de água transparente, entre uma porta meia feita e uma outra por fazer, ainda é uma sorte alguém poder escrever diga lá minha menina quantas portas vêm a ser...

24.6.10

joint venture

or, a tale of three cities

. beijing
. lagos
. new haven

23.6.10

braço de prata








durante as buscas do T (entretanto já encontrado), o sr. apolinário demonstra,
com braço de ferro, toda a ferrugem do ferro.


22.6.10

depois do dia mais longo do ano,

shall I compare thee to a summer's day? não, nunca... thou art more
lovely and more temperate.

21.6.10

esta tarde, em minha casa,

chegaram a estar, obrando ao mesmo tempo, quatro senhores, a saber
o sr. apolinário
o sr. sesinando
o sr dennys
o sr. arménio
o sr. arménio conhecia o sr. apolinário. o sr. sesinando é grande amigo e parceiro de trabalho do sr. apolinario. eu apresentei os três ao sr. dennys que só eu conhecia.
havia também duas senhoras (a sra d. luyba e eu - amigas entre nós de longa data) mas isso não conta porque esta tarde não estávamos obrando: ela aspirava e eu oleava.
uma obra é uma festa social.

pensamento juche






19.6.10

altares do solo

perdi o meu para tu encontrares o teu. não terá sido em vão.

16.6.10

o valioso tempo dos maduros*

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial! 

Mário de Andrade
(1893-1945)
enviado pela patrícia v.


* sempre me divertiu o facto da palavra "maduro" significar tanto "com idade" como "sem juízo".

13.6.10

jeannes (sem arco nem flecha)

imersas em intermináveis conversas que ora (nos) versam (n)o individual reverso ora (n)o incontroverso dual comum - por vezes adverso, nem sempre controverso. muitas vezes dispersas em nossas vidas tão inversas. nunca introversas.