5 years ago
5.1.08
universidade de aveiro: a arquitectura (do "complexo") e as "plantas de interior"
para fazer esta fotografia sem vasos tive de empurrar para o lado um, mais pequeno, que estava do lá de cá da parede. mas não consegui mover o que estava do lado de trás e que por isso ficou visível. prova afinal de que (não) se trata de pesadelo meu, nem, for that matter, da pessoa que a sonhou, o arquitecto vítor figueiredo (cuja morte, em 2004, coloca fora de qualquer oposição, mesmo ou sobretudo a que opõe o pesadelo ao sonho)
3.1.08
olímpica infelidade conjugal
durante uma conferência de imprensa da CCTV 5 sobre os Jogos Olímpicos, Hu Ziwei, mulher do responsável pela secção de desporto da estação, Zhang Bin, que supostamente só deveria ouvir o discurso do marido, antes de ele começar a falar, tirou-lhe o microfone das mãos e fez ela o seu próprio discurso. não sobre a febre olímpica que grassa no país mas sobre a febre da infidelidade conjugal do(s) marido(s) chineses. alguém presente na sala filmou a cena. que para mim, longe de ser divertida, como a tenho visto classificada, é um pouco arrepiante. talvez pela aparente serenidade e perfeita compostura mantida do princípio ao fim por Hu Ziwei. pela sua figura frágil e comedida, pela sua solidão e teimosia entre os vários homens que a querem calar. não sei.
1.1.08
comentário a um comentário não comentado
foram muitos os mal-entendidos provocados pelo post 'asas' no qual pretendi fazer uma graça, aliás bastante imbecil, misturando os imaginários das expressões "água pelas barbas" e "asas para voar" com a palavra "rebarbativa" aplicada ao comportamento de uma das minhas filhas.
co-movida pelo comentário da 'manhã clara', enviei-o por email às minhas duas filhas perguntando-lhes qual delas se identificava com a miúda mínima e descalça com os pés no riacho. ambas me responderam completamente ao lado como se não tivessem percebido a minha pergunta. o que me levou a insistir, obtendo como resposta da filha propriamente referida, uma recusa liminar do incidente (da memória de tempos felizes?). não houve datas nem factos que a co-movessem a ver-se representada naquela imagem de felicidade.
depois foi a comentadora que protestou por eu não lhe ter comentado o comentário e me confessou o medo qe tinha sentido pela eventualidade de eu o ter achado piegas a mais ou sofisticado a menos, e outras 'simpatias' do género, para a gloriosa vulgaridade do meu blog. ao que eu respondi, muito genuinamente, que não tinha visto comentário algum a esse post mas que iria investigar.
agora sou eu que me pergunto a mim própria, sem conseguir encontrar resposta que não me pareça vir ao lado da pergunta, como é que consegui apagar tão radicalmente da minha memória um comentário que tanto me tinha feito pensar e recordar. sim porque quando respondi à mc que não tinha visto nada não tinha de facto visto nada. como é que se perde o rasto ao que se viu ou reviviu? se não for exactamente pelas mesmas razões daquela minha filha que não se conseguiu ver reflectida nas águas do ribeiro do penedo a rir ao lado da sua mãe?
p.s. sem saber muito bem porquê esta conversa fez-me lembrar um antigo poeminha chinês muito do meu agrado que diz assim (tanto com tão pouco):
quando a água do canglang vai limpa posso lavar (as fitas d)o chapéu,
quando a água do canglang vai suja posso lavar os pés.
para os oficiais do mesmo ofício, eis o original:
滄浪之水清兮,可以濯我纓,
滄浪之水濁兮,可以濯我足。
co-movida pelo comentário da 'manhã clara', enviei-o por email às minhas duas filhas perguntando-lhes qual delas se identificava com a miúda mínima e descalça com os pés no riacho. ambas me responderam completamente ao lado como se não tivessem percebido a minha pergunta. o que me levou a insistir, obtendo como resposta da filha propriamente referida, uma recusa liminar do incidente (da memória de tempos felizes?). não houve datas nem factos que a co-movessem a ver-se representada naquela imagem de felicidade.
depois foi a comentadora que protestou por eu não lhe ter comentado o comentário e me confessou o medo qe tinha sentido pela eventualidade de eu o ter achado piegas a mais ou sofisticado a menos, e outras 'simpatias' do género, para a gloriosa vulgaridade do meu blog. ao que eu respondi, muito genuinamente, que não tinha visto comentário algum a esse post mas que iria investigar.
agora sou eu que me pergunto a mim própria, sem conseguir encontrar resposta que não me pareça vir ao lado da pergunta, como é que consegui apagar tão radicalmente da minha memória um comentário que tanto me tinha feito pensar e recordar. sim porque quando respondi à mc que não tinha visto nada não tinha de facto visto nada. como é que se perde o rasto ao que se viu ou reviviu? se não for exactamente pelas mesmas razões daquela minha filha que não se conseguiu ver reflectida nas águas do ribeiro do penedo a rir ao lado da sua mãe?
p.s. sem saber muito bem porquê esta conversa fez-me lembrar um antigo poeminha chinês muito do meu agrado que diz assim (tanto com tão pouco):
quando a água do canglang vai limpa posso lavar (as fitas d)o chapéu,
quando a água do canglang vai suja posso lavar os pés.
para os oficiais do mesmo ofício, eis o original:
滄浪之水清兮,可以濯我纓,
滄浪之水濁兮,可以濯我足。
a noite do dia
entro verdadeiramente em estado de graça quando, cedo ou tarde na noite do dia, as luzes se apagam e ao desprazer agitado do esforço de ver se sucede o repousado prazer de escutar: acaba o trabalho de tentar agarrar as imagens do mundo (uma de cada vez se possível) por entre a multiplicidade de teias de aranha, sombras de nuvens, leves traços de chuva, moscas de tamanhos e formas diferentes, que nunca pára de dançar no meu olhar; e começa o refinado descanso de estar sentada a escutar o mundo.
as mais das vezes faço-o com a ajuda de uma telefonia ligada mas tambem não é raro fazê-lo com a telefonia desligada. das duas maneiras a escuta, mesmo a mais atenta e envolvida, nunca é penosa. sem vozes nem ruídos prévios e anteriores a si próprio, o processo de escutar é fácil e plácido.
à noite, o mundo deixa finalmente de se fazer caro e dificil, pára de me afastar, confundir e violentar; na escuridão, sentada a escutar, não sou eu a lutar pelo mundo, é ele que se me oferece sem exigir nada em troca.
as mais das vezes faço-o com a ajuda de uma telefonia ligada mas tambem não é raro fazê-lo com a telefonia desligada. das duas maneiras a escuta, mesmo a mais atenta e envolvida, nunca é penosa. sem vozes nem ruídos prévios e anteriores a si próprio, o processo de escutar é fácil e plácido.
à noite, o mundo deixa finalmente de se fazer caro e dificil, pára de me afastar, confundir e violentar; na escuridão, sentada a escutar, não sou eu a lutar pelo mundo, é ele que se me oferece sem exigir nada em troca.
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