30.8.07

memória reflexiva: a procissão fúnebre

Chanson des escargots qui vont à l'enterrement
A l'enterrement d'une feuille morte
Deux escargots s'en vont
Ils ont la coquille noire
Du crêpe autour des cornes
Ils s'en vont dans le soir
Un très beau soir d'automne
Hélas quand ils arrivent
C'est déjà le printemps
Les feuilles qui étaient mortes
Sont toutes ressuscitées
Et les deux escargots
Sont très désappointés
Mais voilà le soleil
Le soleil qui leur dit
Prenez prenez la peine
La peine de vous asseoir
Prenez un verre de bière
Si le cœur vous en dit
Prenez si ça vous plaît
L'autocar pour Paris
Il partira ce soir
Vous verrez du pays
Mais ne prenez pas le deuil
C'est moi qui vous le dis
Ca noircit le blanc de l'œil
Et puis ça enlaidit
Les histoires de cercueils
C'est triste et pas joli
Reprenez vos couleurs
Les couleurs de la vie
Alors toutes les bêtes
Les arbres et les plantes
Se mettent à chanter
A chanter à tue-tête
La vraie chanson vivante
La chanson de l'été
Et tout le monde de boire
Tout le monde de trinquer
C'est un très joli soir
Un joli soir d'été
Et les deux escargots
S'en retournent chez eux
Ils s'en vont très émus
Ils s'en vont très heureux
Comme ils ont beaucoup bu
Ils titubent un p'tit peu
Mais là-haut dans le ciel
La lune veille sur eux.

29.8.07

Flight booking: Confirmation


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ECQW2TG



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Miss RVA ... is flying on:

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Thursday 13 September

Check in opens Thu 13 Sep 15:40
Closes Thu 13 Sep 17:00

London Luton To Lisbon

flight 2369; dep. Thu 13 Sep 17:40
arr. Thu 13 Sep 20:25

mise à nu par la lune

depois de perguntar a várias pessoas onde é que 'nascia' a lua, a m. constatou que as respostas vinham geralmente acompanhadas por movimentos através dos quais o corpo parecia tentar situar-se no universo. na sua busca de 'desenhos' em construção, a m. convocou 50 amigos para, numa praia à beira da serra da arrábida, escolherem o ponto de onde pensavam poder ver surgir a lua (ontem cheia). na hora em que já não é dia mas também ainda não é noite, cada participante recebeu um olho (5º 'olho' da m.) cujo número de série registou, acompanhado do nome, num caderninho preto circulante (olho que fica à sua guarda até ao fecho do evento, no lux, em data a combinar). como por milagre, a lua começou a subir mesmo em frente do local onde eu tinha colocado a minha cadeira (atrás dum rochedo para me proteger do vento gelado). de enorme cículo transparente e translúcido depressa passou a grande bola rosada, para depois perder tamanho e mudar de cor (primeiro dourada e depois prateada). ao recortar o mundo com os meus três olhos (ou, dito de outra forma, com dois olhos e uma moldura) dei comigo na snba, onde tinha 8 anos e fechava a mão direita, a fazer um óculo que colocava em frente do olho direito em imitação do meu avô. da grande sala da barata salgueiro voltei à pequena praia da anicha onde, sem saber bem como, acabei sentada a uma mesa muito comprida, com gente de várias idades e línguas, partilhando uma honestíssima massada de peixe, vinho branco devidamente gelado e azeitonas bem temperadas. a ida e a vinda, ainda que em carros diferentes e com motoristas distintos, ficou marcada pela mesma jovem comissária/curadora.

o sobrinho de wittgenstein (3)

ao recomendar-me este romance, o fg relacionou a sua escrita com a música. o que me fez sentido logo a partir das primeiras páginas. no entanto, e talvez por causa dessa proximidade estrutural, a minha experiência de leitura tem-se aproximado mais da dança. hoje, sentada num banco de jardim, livro aberto no colo, rodopiei, rodopiei, rodopiei ... durante quase duas horas.

o sobrinho de wittgenstein (2)

thomas bernhard é o nome de um romancista austríaco cuja 'descoberta' (por via de um amigo a quem não sou capaz de pagar na mesma moeda) me parece capaz de se vir a transformar em marco na história da minha relação com a literatura: a um tempo TBbc irá talvez seguir-se um tempo TBac. de momento estou num limbo temporal uma vez que já fui projectada para fora de um tempo sem ainda ter construído um lugar no outro.

28.8.07

novo casino em macau

BBC NEWS | In Pictures | In Pictures: Macau casino opens

ética de vida do agnóstico

do post (sobre a saída de cena de EPC) hoje publicado pelo rt em pobre e mal agradecido transcrevo: (...) o agnóstico não é só aquele que não sabe o que acontece depois da morte. É aquele que, uma vez que não sabe o que vem depois, vive como se esta vida fosse a única.
Não vá dar-se o caso de não haver mais nada depois, tomemos pelo menos esta por garantida (...) Para o agnóstico, contudo, sofrimento é desperdício. Este pode não ser o melhor de todos os mundo possíveis; mas é o que há. E sabê-lo parece-lhe uma libertação.
(...) Para o agnóstico, desanimar seria perder tempo. E perder tempo nunca significa só perder tempo; é perder a vida. O sentido da vida é vivê-la.

nove anos

hoje, nove anos depois de nos termos visto pela última vez, não sei se nove anos é muito ou pouco tempo. até porque esta continuada presença da tua ausência mudou a minha experiência do tempo: de uma sucessão de momentos distintos e pessoais, o tempo passou a ser a tranquila duração da realidade do mundo. apesar de agosto ser o mês de todas as separações, quando ele acabar, no pincípio de setembro, nada será muito diferente daquilo que já era no final de julho, quando ele começou.

identidade pessoal como falus?

ler isto (do pm em estado civil)
Lacan tem aquela frase extraordinária que cito muitas vezes: «O amor é darmos uma coisa que não temos a alguém que não precisa dela». O mesmo Lacan também explicitou que amamos no outro precisamente aquilo que ele não tem. E o outro fica fascinado com esse objecto de fascínio que é aquilo que imaginamos nele. O que o outro deseja não é aquilo que lhe podemos dar, mas aquilo que imaginamos nele. E que de facto não existe.
fez-me perceber o que me incomoda na relação com certas pessoas (com as quais é suposto ter uma relação de amor): não me sentir imaginada (por elas)isto é, não me imaginarem como eu desejo (preciso de?) ser (imaginada).
não, acho que não é só uma questão de falus. nem sequer sei se chega a ser uma questão de falus (pelo menos o que eu estou a dizer). talvez tenha mais a ver com a identidade pessoal, resultado de permanentes e sempre difíceis negociações entre o eu e o outro.

27.8.07

o sobrinho de Wittgenstein (1)

eis uma das várias diferenças que, ao mesmo tempo, os separavam e uniam: enquanto que o tio publicou o seu cérebro, o sobrinho praticou o seu cérebro.