19.9.10

a propósito de uma inesquecível experiência de circo *

Ciganos. E mais uma vez a minha raiz humana estremeceu. São eles que me dão sempre a medida absoluta da liberdade que não tenho e por que suspiro. Anarquistas em espírito e corpo, lembram-me príncipes do nada, milionários do desinteresse, sacerdotes da preguiça, ampulhetas obstinadas onde o tempo não se escoa. Comem a podridão, vestem-se de absurdo, são marcianos na terra. E ao vê-los caminhar na poeira do transitório, é a imagem do homem ideal que vejo passar, lírica e desdenhosa.
Miguel Torga, Diário VII, 1954, citado por rui herbon, in jugular

* num espectáculo do cirques romanes, dirigido por alexandre romanès e constituído pela sua família que veio a lisboa para o Festival Todos “Caminhada de Culturas 2010”

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