27.9.08

green, blue and red

no decurso de demorados rearranjos domésticos, apoiada por uma jovem mulher para cujos olhos verdes não me canso de olhar, aparece, literalmente out of the blue, uma bandeira da juventude comunista portuguesa. como a minha ajudante nasceu e cresceu na bulgária comunista, sinto a necessidade de lhe dizer alguma coisa sobre o inesperado objecto que temos entre mãos.
"esta imagem - perguntei a apontar para a foice e o martelo - traz-lhe boas ou más recordações?"
ela não respondeu imediatemente e eu fiquei à espera, de repente muito interessada pela resposta que havia de vir. quando chegou as palavras sairam muito pausadas-pensadas:
"boas... sim boas".

bom-dia de manhã

é como me cumprimenta que horrível palavra, talvez 'saúda' fosse aqui mais apropriado, de manhã, um amigo cuja língua materna abomino esta palavra a qualificar "língua", mas como acho 'nativa' ainda pior e 'primeira' bastante absurdo, tenho de a usar-gramar não é o português. esta reafirmação da conhecida criatividade linguística, característica dos falantes de línguas segundas outro qualificativo absurdo já que este meu amigo antes de aprender português aprendeu não sei quantas outras línguas antes poderia dizer língua 'outra' mas não quero pois estaria desse modo a remeter para o que seria uma língua (do) 'eu', fundamentalismo que gostaria de evitar tem refrescado e aligeirado o calor pesado das manhãs tardias.

17.9.08

um filme duas perplexidades

primeira
poderá alguma coisa ser boa demais? se sim, então este filme é bom demais. com isto não estou a sugerir que ele poderia ser melhor se fosse menos bom. creio que tal como um filme mau demais é sempre um mau filme, um filme bom demais é sempre um bom filme.
segunda
poderá desaparecer de vez a antiga distinção entre ficção e documentário? se sim, então este filme é o exemplo mais acabado desse novo género híbrido (tão do agrado dos novos cineastas chineses).
não se trata de negar a existência das suas "partes" mas de perceber como o filme está para além da distinção entre elas. mais do que justapostas, elas aparecem misturadas numa abordagem cinematográfica através da qual a subjectividade dos diferentes autores/actores aparece inscrita na própria objectividade do que eles filmam/representam.
por tudo isto me parece que as "duas histórias" do filme não cabem na tradicional (di)visão da história dentro da história: neste filme, a história que o filme conta é a história do filme que a conta.

16.9.08

how big is small?

esta idade tem ainda a vantagem de nos permitir
ver as coisas assim como que um pouco desfocadas
disseste tu nesse final tão azul da tarde de ontem.

15.9.08

email recém recebido

"imaginei que gostasse:
a filha da wong faye e do seu ex-marido, dou wei, chama-se Dou Jingtong (竇靖童, lit. meaning "child of Dou and Jing") porque a wong faye dantes usava o stage name "jingwen".
giro, não é?"

imagens do sonambulismo

que caracteriza o "despertar da china" (mau título de bom ciclo de cinema)

另一半
ling yi ban (a outra metade) de ying liang, 2006)













芒种 mangzhong (a subida das espigas) de zhang lu, 2005














por acaso é este mesmo azul (na foto do filme de ying liang)
que marca tão forte e generalizadamente o filme de Zhang Lu

13.9.08

a semana que passou

foi passada a jogar futebol com uma bola de ping-pong.

nipon, o lugar ao sul do vincent

4.9.08

hong kong

extraodinário o piso do arrozal que primeiro piso a medo, com medo de nele me afundar, mas no qual acabo por ficar divertidíssima em leves corridas ao acaso.
ia a caminho do cemitério onde pensava plantar amores perfeitos. de volta a casa assisto extasiada à renovação do jardim aravés das grandes janelas da cozinha.