5 years ago
2.3.10
acronia
não espanta ouvir dizer que a música é a mais sensual de todas as artes, aquela que mais directamente engaja as nossas emoções. o eros da música fluindo e evoluindo, movendo-se, evolvendo-se, devolvendo-se, envolve-se connosco numa relação física, imediata e directa. diferentemente das outras artes, a música não é um objecto - como a aguarela ou o edifício; a música não é um sequer um som ou uma configuração de sons; a música é-me sempre uma experiência no corpo, venha ela por deliberação ou por acaso.
a visita do superego
queria agradecer, publicamente, ao superego pelo vagar da sua visitação, ali na casa de seu pae, onde a ocupação tanto a desacompanha no atravancamento da memória: todos os dias do verão flechas certeiras a pique no terraço, as noites perfumadas, arco de veludo muito tenso - poemas de arco em flecha, ou seria poesia? os mosquitos, o altifalante das touradas - "hoje há carne de porco, ou seja porca", até a joy se lembra mais do que eu, e de que parte do cérebro vem o sr. henriques afinal adamado com uma dama naturalmente... eu tinha essa noção sabes mas era então tão miúda, os sentimentos não passavam de cheiros e pressentimentos. só agora tenho a certeza tanto quanto. mas desculpa o desvio associativo, SE, que o que eu te venho dizer, por intermédio deste poste, afinal desviado menos do que era devido, depois mando fotografia, era do seu prazer quotidiano na tua submissão, era no fundoassiná-la como quem se reconhece, e apetece tua amante e tua escrava.
28.2.10
27.2.10
somos felizes?
colocada a questão desse modo, que instaura uma oposição entre dois termos - feliz/infeliz, valorizando o primeiro contra o segundo - não poderemos ambas ser se não infelizes: por fora infelizes, quando somos infelizes, e infelizes por dentro, quando somos felizes, pelo receio inevitável de perdermos isso a que chamamos felicidade.
colagem
em casa de meu pae, nos longos serões das espaçosas noites do inverno, sem outras mulheres, entregas-te com afinco ao trabalho paciente que dá forma à nossa impaciência.
26.2.10
viagens na nossa terra 4
em pleno de leite no campo, esse local sem definição certa nem locação definida, que amigo define como o sítio onde se pára para fazer chichi, essa palavra sem ortografia certa nem forma estável, que uns escrevem com dois Xs, outros com dois CHs, uns em palavra únicas, outros em palavra hifenizada mas que poucos desordenam mixando-a com CH e X. ou, for that matter, com CH ou X.
viagens na nossa terra 3
"porque, certamente segundo as desventuras são desarrazoadas e graves, aos homens se haviam de fazer; mas, quando com êles não puderam, tornaram-se a nós, como á parte mais fraca. e assim é que padecemos dous males, um que sofremos, e outro que se não fez para nós. os homens cuidam outra cousa, mas o que das mulheres não cuidam êles?! logo, costumaram ter em pouco as suas tristezas. mas se élas, por isso, teem razão de serem mais tristes, sabê-lo-á quem souber que mágoa é manter verdade desconhecida!"
juana molina
uma paixão recente mas premente,
esta mulher e a música que ela faz.
o seu belíssimo "un dia" pode aqui
ser ouvido.
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