30.3.11

verei

o que me dizem as cartas.

sei, no entanto que o que as cartas dizem não diz nada se eu não disser o que lá está dito. o que só acontecerá se conseguir situar-me inteiramente no presente, impedindo a memória, sempre tão viva, de se intrometer.

este é um pequeno trabalho para o tempo de grande crise: dizer(-me agora) o que (então lhe-)disse. dizer o que disse. tarefa simultaneamente impossível e inevitável. assim é a língua que, ao dizermo-nos, nos diz.

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