8.6.10

comandante e comandada

o comandante de quartel de bombeiros é desenhador nas horas vagas. a sua empresa tem escritório onde trabalha a mulher radiante com esperteza e lucros do marido. quando manifesto opinião contrária sou por eles trucidada. saio então do carro e pergunto o que hei de fazer e a quem recorrer; pergunto a toda a gente o que hei de fazer na questão com o comandante e até sugiro falar com o avô tropa, que, por ser tropa, lhe há-de agradar a ele comandante e desenhador.
em casa há 26 crianças que todos os dias tomam banho e se arranjam para o jantar. mas só há uma criada para tantas auroras. vejo um cobertor no chão, todo sujo, que conheço ser de enrolar e ter sido morada de ratos - dai as caganitas. digo que é melhor lavá-lo pois os ratos são venenosos e espanta-me que a criada concorde sabendo eu ter sido ela quem, noutro tempo e local, deixou a minha bela manta indiana chegar àquele estado.

na casa o perigo é o fogo pois os fogões da cozinha estão todos espalhados pelos corredores - onde correm as crianças - ou encostados às portas dos quartos vedando a circulação pela casa, nomeadamente a entrada para meu quarto.

é uma casa grande e complexa onde outras vidas se passam - mulheres bem vestidas e alguém, que não sei se é homem ou mulher, dizem, riem imenso ao ver as nódoas que crivam a minha a saia. ainda me tento defender mas depois desisto. olho o meu braço escanzelado com espanto e susto. que bom, magreza. que horror, doença.

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