10.6.10

il gattopardo



entre a belíssima leveza das cortinas soltas de delicada transparência, o seu suave movimento - ao ritmo do qual entra e sai, com a brisa tão do sul, a respiração da morte de uma época, isto é, o olhar nostálgico do homem que a/se percebe no seu moribundo esplendor - e a pesada imobilidade das cortinas, cortinas que sendo as mesmas já são outras outras, de textura opaca, escuridão de veludo da cor do sangue velho, bem amarradas à parede - que encerra a época, e o olhar que a olha, na casa -  se passa este filme, polémico pelas mesmas razões do anterior (sempre a tensão entre a estética e a política na origem da polemia) que vi, pela primeira vez, com uns olhos esbugalhados onde ainda hoje dançam soltas as cortinas.

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