8.9.09

o chico a. disse

que o justo, o ferro-velho local - tardiamente substituído pelo adriano, nome de cortesia aladin - o homem que comprou aos meus pais a mais feia mobília de casa-de-jantar  jamais vista (e usada) - era quem vendia, à mãe dele os velhos crucifixos com datas anteriores a cristo.

olof said

e com razão, que não há ferro-velho, em nenhuma parte do mundo, que não seja também um excêntrico.
o que me lembrou uma conversa, ocorrida há muitos anos numa universidade chinesa, entre uma menina de seis anos e a sua mãe, então estudante de chinês:  
- porque é que os ocidentais que estão aqui são todos malucos? 
- se calhar só uma pessoa um bocadinho maluca é que se lembra de vir para aqui estudar chinês...
- então nós também somos um bocadinho malucas?  

muito giro

"somos um grupo de pais que se propõe lutar por uma sociedade mais justa, opondo-nos a todas as formas de discriminação. Pela forma como nos toca enquanto pais, concentrar-nos-emos preferencialmente no combate às formas de discriminação relacionadas com a orientação sexual." ler mais

7.9.09

não dou despachado...

para acabar de traduzir a mini-história sobre o sun ce e o yu ji (meia página de texto português) não preciso de saber:
a) nem a origem, o número ou o aspecto  das feridas que rebentam (n)o corpo do primeiro, causando-lhe morte instantânea, quando ele, soltando um brado horrível, vê o fantasma do segundo reflectido num espelho;
b) muito menos a forma como ele foi capaz - ainda que com o vigor dos seus 25 anos e a longa experiência de luta armada ao lado do pai - de esmagar o espelho se, duzentos anos AC os espelhos chineses ainda eram de bronze;
c) nem sequer as razões (intelectuais - era um racionalista como sugere o romance? ou afectivas - tinha ciúmes do padre como diz a história?) por que sun, contra a opinião dos seus homens e da sua própria mãe, manda matar o padre apesar (ou por causa?) de  este ter mesmo feito chover;
e no entanto, há dois dias que releio o luo guanzhong deleitando-me, por exemplo,  com o que sun diz à mulher antes de morrer ou entusiasmando-me, muito para além do razoável, com o que me parece ser a plausibilidade da troca ocorrida no nome do padre que, de gan ji (干吉) na história passa para yu ji (于吉) na estória (e no romance...)

4.9.09

setembro

um amigo perguntou-me se eu também me ia apropriar de setembro e ainda quis saber  quão 'querido' me era o único mês do ano cuja qualidade própria se faz do ser-verão e não-ser-verão. 
respondi~lhe que não me sendo tão querido como agosto, também tinha as suas datas mas não elaborei. a morte do xf, hoje, será mais uma a juntar às que vou comemorar em setembro do ano que vem. 
setembro tempera o calor de agosto e assim retempera os que conseguiram passar, com vida, de um mês para o outro. o desejo e a memória, que em agosto se misturavam numa espécie de euforia, voltam agora a separar-se o que confere a setembro esta doce e paciente nostalgia. tão distinta acho a qualidade deste mês que se depois de morta viesse, por acaso, a ressuscitar durante a sua vigência, havia de perceber, mal se abrisse a tampa do caixão, que o tempo cá fora era setembro. 

summer: the cruellest season

I had not thought death would undo so many.

30.8.09

meu querido mês de agosto


era domingo mas as bancas do largo permaneceram fechadas durante toda a manhã.
a noite anterior tinha sido a do banho da meia-noite, que vale por um ano inteiro, mas a morte, essa vale(u) para o resto da vida.