15.5.08

da euforia à disforia

comecei bem a tarde ouvindo a adriana calcanhoto a cantar "vamos comer caetano" (a quem não apetecerá comer caetano?), e relendo o "manifesto antropófago" do poeta brasileiro oswaldo de andrade, no qual se proclama, logo no início: "só a antropofagia nos une. socialmente. economicamente. filosoficamente".
(ver a versão original e uma boa traduçao inglesa).
mas acabei-a bastante mal frustrada por não ter conseguido, mais uma vez, uploadar música para aqui (no caso, a cantiga de adriana calcanhoto) HELP!

breakfastando à hora do lunch

falou-se neste poema de EA
É um lugar ao sul, um lugar onde
a cal amotinada desafia o olhar
que eu não soube traduzir.

14.5.08

ir de cajado

"um cajado, se a coisa for bem compreendida, é quase um meio de transporte... porque se eu for a andar, e não levar um cajado, custa-me mais a andar..."
jacinto josé pereira *

* outro poeta do sul de que recordo os dois primeiros versos de uma poesia
eu faço pinturas que não sei apagar,
pinto a lua cor da terra e o sol da cor do mar...

pensamento da noite

sou maior mas nao vacinada.

no lugar do sul

esteve esta semana adelino pacheco norte.
com 83 anos, este tocador e construtor de acordeaos vive consigo
proprio, num serro da serra do espinhaco de cao. de onde se avista a
baia de lagos.
seja no interior ou no litoral, no barlavento como no sotavento, no
alentejo como no algarve, e sempre a mesma pessoa que procuro neste
lugar ao sul.

9.5.08

pastelaria sagres (3)



lá dentro, do belo castanho das madeiras, ao arranjo impecável da luz, passando pelo rigor das linhas dos móveis e pelo arranjo das garrafas nas prateleiras, até aos espelhos, tudo parece estar exactamente no sítio onde devia estar.

permanecer algum tempo rodeada por esta espécie de ordem formal perfeita e austera, tem o condão de nos gazer descansar os olhos, que, como se sabe é uma importante 'parte' do nosso cérebro.

pastelaria sagres (2)


durante a tarde estive sentada a beber um sumo, feito no momento, com as larajas que o próprio sr. josé cultiva em azeitão, e a comer uma bela torrada feita de pão integral (que nunca consigo encontrar noutros locais) e com a reduzida dose de manteiga, como sempre peço e nunca recebo.

pastelaria sagres (1)









ainda há em lisboa antigas pastelarias (apesar de o vitorino insistir que são 'leitarias', ou não fosse ele a celebrizar a
leitaria garret) como a pastelaria sagres, meia escondida na curva da rua que desce do campo santana para a av. da liberdade.

8.5.08

antroponímia: recolha de dados

Hoje a entrevista decorreu na loja da família Ye. O filho, de 11 meses, tem como nome chinês 欧青 Ouqing (europa/ clara, sem-nuvens) e Gonçalo, como nome português. A filha, de três anos, chama-se, em chinês, 佳乐 Jiale (excelente/alegre), e Helena, em português.
Apesar de ambos terem nascido em Portugal (entenda-se na Europa, pois, como alguém já antes fez notar, os chineses são, sob vários aspectos, os primeiros, senão mesmo até agora os únicos cidadãos da UE), só o nome do rapaz comemora essa circunstância (tida pela família como muito relevante): o primeiro nome, 欧 Ou significa 'Europa'.
Interrogada sobre a razão por que o nome da filha, não contendo qualquer alusão à Europa, não funciona como voto familiar para que a portadora adopte e seja adoptada pelo espaço onde nasceu (e que a família classifica euforicamente como 'limpo, desanuviado'), a mãe responde que, tratando-se de uma rapariga, "lhe basta ser 'boa' e 'alegre'.
Despedi-me da família Ye a perguntar-me se de facto bastaria. E a desejar que a Helena Ye, além de, individualmente se tornar numa pessoa boa e alegre, apoiada pelo significado do nome chinês que usa, queira ir além dele, reivindicando a plena cidadania europeia e exigindo à Europa o seu reconhecimento, tanto de facto como de direito.

6.5.08

o retrato

"morda os lábios que isso está muito branco..."

foi a ordem que me deu antes mesmo de destapar a máquina