16.8.11

a medida da terra

do cultivo da terra, tudo me encanta: os milagres inesperados - o raminho de beldroegas a nascer este verão de sementes perdidas de um verão passado, o delgado broto de passiflora que cresce leve e solitário a 10 metros de distância da trepadeira mãe, a descoberta de que o caule do papiro serve de fio para agarrar as folhas da hera, a cor, de vinho maduro, no figo da figueira nortenha; como os aguardados resultados, para não falar já do próprio processo de espera - a força e a elasticidade das guias do chuchu, como o sr. pires tinha previsto, a diferença no verde das duas espécies de basílico lida na literatura das sementes, a abundância da produção das amêndoas depois do corte das ramadas que ensombravam a amendoeira, o rebentar da erva cidreira e o lento declínio do cacto de flores encarnadas que não aguenta tanta água.
pode ainda a terra vir a servir-me de medida para os dias daquilo a que alguém chamou o meu outono.

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