17.10.10

rememorando

pouco ou nada ficou. apenas vejo a senhora dona maria amélia e, naturalmente, a prima do colar de pérolas.
nunca mais te venho visitar. vem uma pessoa de tão longe, para xabregas, ou chelas, passa viaduto e ponte por baixo e por cima, engana-se nas rotundas e depois nem te dignas a abrir os olhos ou a apertar a mão aí encerrada nesse mundinho donde não sais nem deixas entrar.
tocam os instrumentos à tua volta, a única telefonia por perto, e reassinas como se fosse de madrugada. apitam as campainhas dos teus companheiros à roda e mexes um pé. digo- te que estavas muito mais bonita que a estúpida da h. no casamento da r., que eras a maIs bonita no casamento da c. e chamo vaidosa, além de alluneuse.
falo-te no l. e no passeio nocturno de barco (sem saber que alguém iria falar no mesmo assunto e em público mas em segredo - abençoada) de que só eu já tenho a chave (afinal não era verdade) e nem mesmo isso te convence a sair para fora não da cama mas do coma em que te foste meter.
será este um capricho final? não sei como a c. neta ainda não carregou contigo para os comatosos anónimos. talvez no acanhado apartamento sub-urbano as rezas e as reuniões te projectassem para fora da irritação.
igualmente me lembro de me teres gozado por o meu amigo ser de muitos salalecos mas nem oito nem oitenta, uma ausência completa de salamaleque também não é próprio de uma senhora.

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