6 years ago
2.10.08
o caminho certo da razão
em conversa explícita com o carlos drummond de andrade, autor deste poema
A mão de meu irmão desenha um jardim
e ele surge da pedra. Há uma estrela no pátio.
Uma estrela de rosa e de gerânio.
Mas seu perfume não me encanta a mim.
O que respiro é a glória de meu mano.
a marta escreveu, para o catálogo da primeira exposição individual do irmão, no museu natural de história natural (sala do veado), esta pequena maravilha intitulada "sobre as esculturas do meu irmão":
A mana Marta
A mão de meu irmão desenha um jardim
e ele surge da pedra. Há uma estrela no pátio.
Uma estrela de rosa e de gerânio.
Mas seu perfume não me encanta a mim.
O que respiro é a glória de meu mano.
a marta escreveu, para o catálogo da primeira exposição individual do irmão, no museu natural de história natural (sala do veado), esta pequena maravilha intitulada "sobre as esculturas do meu irmão":
Umas são muito vaidosas e deixam-se olhar-se com orgulho por todos os lados.
Outras são muito chegadas porque nos abraçam sem nos conhecer.
Também as há que são ambas as coisas.
Algumas muito empertigadas, as pontiagudas, parecem insinuar o caminho certo da razão.
As mais tolas riem-se descontraidamente de nós porque de certo que se apercebem do nosso espanto.
Em comum todas mostram a ilusão de poder ir e voltar. Nunca se sabe.
Em palavras de madeira, és tu.
1.10.08
entrevista "promocional"
toca o telefone um pouco mais tarde do que a hora marcada. pego no caderninho e no lápis e atendo solícita. surge uma voz feminina simpática e que sabe o que quer.
- tudo o que eu quero que me diga é "quem pode frequentar o curso", "o que é que lá se vai aprender", "como é que o curso funciona" e "o que é que os alunos podem fazer com ele".
estava salva, o pior é quando o jornalista não sabe o que quer saber e a gente, além das repostas, ainda tem de inventar as perguntas.
- então, 1º: toda a gente o pode frequentar - basta ter vontade de trabalhar e disponibilidade para desfazer ideias já feitas e para fazer ideias ainda por fazer (ideias que, naturalmente, cursos e recursos posteriores irão por sua vez desfazer); 2º: não faço a menor ideia sobre o que é que os alunos lá irão aprender, eu por mim hei-de aprender tudo o que eles me quiserem ensinar; 3º...o que é que o curso vai ser? : acho que o curso há-de ser um bocadinho como calhar, sabe... as coisas dependem sempre tanto da qualidade do momento - ora falas tu, ora falo eu, ora não fala ninguém e vamos todos ao cinema, um dia lemos alto, como na escola primária, outro baixo, cada um no seu canto, havemos de discutir mas também havemos todos de nos rir; e finalmente, a sua última pergunta: parece-me os alunos com o curso não hão-de fazer grande coisa mas no entanto espero que o curso faça alguma coisa com eles.
- muito obrigada. agora ainda vou editar isto - temos aqui imenso material e só temos 2 minutos... depois eu digo quando é que vai para o ar.
- tudo o que eu quero que me diga é "quem pode frequentar o curso", "o que é que lá se vai aprender", "como é que o curso funciona" e "o que é que os alunos podem fazer com ele".
estava salva, o pior é quando o jornalista não sabe o que quer saber e a gente, além das repostas, ainda tem de inventar as perguntas.
- então, 1º: toda a gente o pode frequentar - basta ter vontade de trabalhar e disponibilidade para desfazer ideias já feitas e para fazer ideias ainda por fazer (ideias que, naturalmente, cursos e recursos posteriores irão por sua vez desfazer); 2º: não faço a menor ideia sobre o que é que os alunos lá irão aprender, eu por mim hei-de aprender tudo o que eles me quiserem ensinar; 3º...o que é que o curso vai ser? : acho que o curso há-de ser um bocadinho como calhar, sabe... as coisas dependem sempre tanto da qualidade do momento - ora falas tu, ora falo eu, ora não fala ninguém e vamos todos ao cinema, um dia lemos alto, como na escola primária, outro baixo, cada um no seu canto, havemos de discutir mas também havemos todos de nos rir; e finalmente, a sua última pergunta: parece-me os alunos com o curso não hão-de fazer grande coisa mas no entanto espero que o curso faça alguma coisa com eles.
- muito obrigada. agora ainda vou editar isto - temos aqui imenso material e só temos 2 minutos... depois eu digo quando é que vai para o ar.
30.9.08
27.9.08
green, blue and red
no decurso de demorados rearranjos domésticos, apoiada por uma jovem mulher para cujos olhos verdes não me canso de olhar, aparece, literalmente out of the blue, uma bandeira da juventude comunista portuguesa. como a minha ajudante nasceu e cresceu na bulgária comunista, sinto a necessidade de lhe dizer alguma coisa sobre o inesperado objecto que temos entre mãos.
"esta imagem - perguntei a apontar para a foice e o martelo - traz-lhe boas ou más recordações?"
ela não respondeu imediatemente e eu fiquei à espera, de repente muito interessada pela resposta que havia de vir. quando chegou as palavras sairam muito pausadas-pensadas:
"boas... sim boas".
"esta imagem - perguntei a apontar para a foice e o martelo - traz-lhe boas ou más recordações?"
ela não respondeu imediatemente e eu fiquei à espera, de repente muito interessada pela resposta que havia de vir. quando chegou as palavras sairam muito pausadas-pensadas:
"boas... sim boas".
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