19.7.11

despedida de solteira

não era hermafrodita que isso implicava ser ao mesmo tempo. era antes alternadamente - ora homem ora mulher. se fosse hoje seria queer - quem sabe? ontem não se sabia - apenas se sonhava que não havia de ser. de resto sonha-se sempre com o que se sabe - como haveria alguém de sonhar com o que não sabe? o que não se sabe não existe.

Still sat Umā

Still sat Umā though scorched by various flame Of solar fire and fires of kindled birth, Until at summer's end the waters came. Steam rose from her body as it rose from earth. With momentary pause the first drops rest Upon her lash then strike her nether lip, Fracture upon the highland of her breast, Across the ladder of her waist then trip And slowly at her navel come to rest.

18.7.11

tanta comoção, no FB, por me ter posto "in a relationship" comigo própria. but then, what would you expect my dear?

little steps

tanto foi o trabalho, próprio e alheio, no ensino/aprendiazagem de que não se deixa comida no prato como há de ser o trabalho, agora só próprio, na desaprendizagem do que se aprendeu.

17.7.11

look well to this day

look well to this day for it is life the very best of life. in its brief course lie all the realities and truths of existence, the joy of growth, the splendour of action, the glory of power. for yesterday is but a memory and tomorrow is only a vision but today, well lived, makes every yesterday a memory of happiness and every tomorrow a vision of hope. look well, therefore, to this day.

11.7.11

a massa da vida

veio tudo ao mesmo. ou, é tudo feito da mesma massa. antes, trata-se de meter as mãos na massa.  

25.6.11

como as mais das vezes se encontra o que não se procura

consta que o padre luís fróis, ao chegar à china, no século XVI, terá exclamado, maravilhado com o que via à sua volta: eu vinha em busca do céu e afinal encontrei o paraíso!

24.6.11

the special one

esta minha amiga.
tem a mesma idade que eu mas só agora começou a comer com as mãos. o motivo por que teria encetado esta nova maneira de estar à mesa - comendo à mão e não com talheres nem com pauzinhos - prender-se-ia com o facto das suas frequentes indisposições estomacais a forçarem a comer quase sempre arroz.
eu, tendo-a visto ontem, à mesa do jantar, em sua casa, acredito que é mais uma questão estética do que dietética - desde o mês que passei na índia, há muitos anos, que não via modo tão delicado de comer,  maneira tão requintada de estar à mesa.

3.5.11

à la Zhuangzi

como durmo sempre com a telefonia acesa, tendo a confundir a realidade com o sonho. ou com o pesadelo, como hoje aconteceu: comecei o dia aliviada por apenas ter sonhado que as pensões de aposentação, superiores a 600 € mensais, iam ser reduzidas; acabo-o transtornada por já ter realizado que as pensões de aposentação, superiores a 600 euros mensais, vão ser reduzidas.

parlamento mental

na minha cabeça não existe apenas uma outra pessoa, como acontecia na cabeça do tipo que disse, uma vez, esta bela frase: there is someone in my head but it is not me. na minha cabeça existem muitas dezenas de pessoas, sujeitos que, por terem valores e personalidades muito diferentes entre si, e também por viverem confinados num espaço tão pequeno e fechado como é uma cabeça humana, estão sempre a discutir uns com os outros. situação que só não é alarmante porque  as pessoas que estão na minha cabeça souberam, em devido tempo, organizar-se em partidos políticos com eles formando um parlamento no qual ficaram representadas todas as tendências ideológicas, da extrema esquerda à extrema direita,* e a cujos debatos eu assisto, ora divertida ora comovida, raramente surpreendida pois os deputados eleitos pensam menos pela sua própria cabeça do que pela cabeça da sua formação partidária.

existe mesmo um deputado eleito por um partido de estrema direita, pró fascista, cujas propostas a favor da liquidação sumária dos inimigos, ou pelo encerramento dos órgãos de informação que o vilipendiam,  até a mim, que nada tenho a ver com ele, me fazem corar de vergonha.