11.12.10

facebook

is softly killing glória do vulgar.
the truth is that fb is so much more gloriously vulgar than gloria itself.

7.12.10

é claro que

existo. e resisto: insisto sempre que desisto. posso até dizer, como o resto do mundo, que a minha vida costuma ser um misto. 

4.12.10

no meu bestiário

toma agora forma o cão - não o animal grande e repousado, repousante, dos meus sonhos, mas uma coisa pequena, agitada e mordedora. que não pára de me morder os dedos dos pés, debaixo da mesa onde janta, alargada (e aknowledged) a família.

2.12.10

facebook

passei a gostar do FB. longe vai o tempo em que me sentia a entrar na meia praia em agosto. o FB, sem eu saber bem como, passou a ser uma janelinha na qual me debruço, geralmente de manhã e à noite, a ver quem passa e a ouvir o que se vai dizendo na (minha) rua.
umas vezes meto-me na(s) conversa(s), outras finjo que não a(s) oiço. há quem se meta comigo, e eu dê troco divertida, e há quem se meta comigo e eu finja não ter ouvido. também há quem passe sem me cumprimentar.
mas, do FB, o que eu agora aprecio realmente é a oportunidade de conversar com a clara e o francisco. os diálogos começam geralmente por um "avoooooooooooooooooooooo" gritado de VB e ouvido distintamente em Lx. ao que se segue, do meu lado, um vocativo do género "Kaikas! tá aí?" ou "meu querido!, ou será querida?" (ontem a resposta imediata foi "querida").
e ontem era dia 1 de dezembro, feriado que expliquei pelo casamento do avô t. com a avó e. "a sério avó?". tão a sério. mas também falámos das dependências entre os reis portugueses e espanhóis e como a sorte, nesse jogo real, tinha calhado a um filipe de espanha.
confirmado o andamento na escola e o bem estar da minha most sweet room mate, não faço mais perguntas para não obrigar a minha neta clara a ficar ali parada, à minha janela, a conversar comigo. e, em menos  de nada oiço a sua voz a perguntar uma coisa a um vizinho, que eu não conheço, e, quase ao mesmo tempo, a responder a uma amiga cujo nome me é familiar.
não sabem o que dizem os que dizem que a internet nos fecha em nós próprios.

30.11.10

habitus linguístico(s)

habito com gosto as línguas que falo e leio. é exactamente por as habitar que posso dizer, sem escândalo, que sim, são minhas todas as línguas cuja sonoridade me fala, todas as línguas cujo código escrito faço falar. afinal, se nem a língua materna é nossa por que razão não hão-de ser nossas as línguas (em) que habitamos? 

numa aula de pós graduação

aluno: mas isso é comunismo...
professora: e então?
aluno: é marxismo... a teoria dele é marxista!
professora: sim... mas nós não somos marxistas ... todos?

finalmente

que bom, comecei as aulas. o mesmo quieto entusiasmo. 
o que irei aprender, este ano lectivo, com os meus novos alunos?
学生们你们好!

27.11.10

tal como certas camisolas

o dia a dia dos que fazem a sua vida, todos os dias, rapidamente fica cheio de borbotos.

cv

I choose no face to look at, choose no way
I just happen to be here, and it's ok.

não foi o cão

mas o leão. ainda sinto as suas garras, delicadamente recolhidas (para não me magoar o pescoço) quando salta de alegria, duas vezes o meu tamanho, patas imensas cobrindo-me os ombros como se fosse um xaile.
tão distinto como o veludo de vermelho na palidez da palha, uns gritos sufocados, o sangue, o sangue, toda a gente a olhar para mim... e agora, o que fazer?
era doméstico, afinal, o animal do sacrifício. talvez um cão. a surdez com que tudo se desenrolou diante dos meus olhos, mas escondido pela macieza da palha (e do veludo, alias akka, ou roots world how did it go?) o sangue, o sangue, toda a gente...
tens de fazer quaquer coisa, não é possível, pura e simplesmente, criar um leão, não é normal amar um leão, even for you, it might be dangerous. is it?