8.6.10

comandante e comandada

o comandante de quartel de bombeiros é desenhador nas horas vagas. a sua empresa tem escritório onde trabalha a mulher radiante com esperteza e lucros do marido. quando manifesto opinião contrária sou por eles trucidada. saio então do carro e pergunto o que hei de fazer e a quem recorrer; pergunto a toda a gente o que hei de fazer na questão com o comandante e até sugiro falar com o avô tropa, que, por ser tropa, lhe há-de agradar a ele comandante e desenhador.
em casa há 26 crianças que todos os dias tomam banho e se arranjam para o jantar. mas só há uma criada para tantas auroras. vejo um cobertor no chão, todo sujo, que conheço ser de enrolar e ter sido morada de ratos - dai as caganitas. digo que é melhor lavá-lo pois os ratos são venenosos e espanta-me que a criada concorde sabendo eu ter sido ela quem, noutro tempo e local, deixou a minha bela manta indiana chegar àquele estado.

na casa o perigo é o fogo pois os fogões da cozinha estão todos espalhados pelos corredores - onde correm as crianças - ou encostados às portas dos quartos vedando a circulação pela casa, nomeadamente a entrada para meu quarto.

é uma casa grande e complexa onde outras vidas se passam - mulheres bem vestidas e alguém, que não sei se é homem ou mulher, dizem, riem imenso ao ver as nódoas que crivam a minha a saia. ainda me tento defender mas depois desisto. olho o meu braço escanzelado com espanto e susto. que bom, magreza. que horror, doença.

7.6.10

da sophia


Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo 
Na luta por um bem definitivo 
Em que as coisas de amor se eternizassem.

6.6.10

la pluie

jean qui pleure est jean qui rit.

2.6.10

alba, de E. de Andrade

como se não houvera
bosque mais secreto,


como se as nascentes
fossem só ardor,


como se o teu corpo
fora a vida toda
,

o desejo hesita
em ser espada ou flor.



este belíssimo poema (que reli no FB de um amigo) bate-me (leia-se, dói-me); é com ele que me debato (leia-se, me inquieto) num debate à volta de uma pergunta (cuja natureza pateta, mas também patética, dificulta o aparecimento de uma resposta na alba): não é este poema um exemplo de texto que só uma pessoa do sexo masculino (poderia) escrever(ia)?

29.5.10

一个都不能少



filme polémico de zhang yimou, retirado de cannes (2000)
mas premiado com o leão de ouro em veneza, visto e comentado,
no final do dia, em minha casa com os alunos de chinês.

tarde simpática.

27.5.10

as alegrias dos dias

não fosse perder a rima e teria chamado a este post as 'alegrias do lar'
já que foram as diferentes flores, nascidas e desenvolvidas no lar, que
tiveram a capacidadede florir os dias com esta alegria!

23.5.10

sic radical

se a família não tem... crenças ou essas coisas assim, e não vai buscar as ossadas, 
eu enterro-as mais fundo e depois vai outro por cima.

afinal

não é exactamente escrever aquilo que me salva – o que é realmente dotado de natureza salvífica é o desejo de escrever.*

* tanto durante a prolongada encomenda da alma como aquando da breve colocação do corpo na gaveta, uma quase obsessiva descrição, em mentalês, do que (não ) estava a viver, foi silenciando toda a inquietação através da repetição, meio alucinada, de palavras e de frases.

sic mulher

- então ontem foste almoçar com eles e não lhes disseste que a tua mulher tinha morrido? fiquei tão admirada quando percebi que os tipos não sabiam de nada. só tu...
- só eu? que mal é que tem não ter dito nada? então havia de ir maçar as pessoas!? e o que é que eu lhes ia dizer? 
voltando-se para o cunhado:
- ouve lá… tu não fazias o mesmo?
- fazia...
- pois não, não tem mesmo mal nenhum - eu só invejo é essa vossa discrição, ou contenção, masculina.

sic notícias

"por causa da primeira não casei com o meu pai e por causa da segunda não casei com o seu pai."