23.5.10

sic radical

se a família não tem... crenças ou essas coisas assim, e não vai buscar as ossadas, 
eu enterro-as mais fundo e depois vai outro por cima.

afinal

não é exactamente escrever aquilo que me salva – o que é realmente dotado de natureza salvífica é o desejo de escrever.*

* tanto durante a prolongada encomenda da alma como aquando da breve colocação do corpo na gaveta, uma quase obsessiva descrição, em mentalês, do que (não ) estava a viver, foi silenciando toda a inquietação através da repetição, meio alucinada, de palavras e de frases.

sic mulher

- então ontem foste almoçar com eles e não lhes disseste que a tua mulher tinha morrido? fiquei tão admirada quando percebi que os tipos não sabiam de nada. só tu...
- só eu? que mal é que tem não ter dito nada? então havia de ir maçar as pessoas!? e o que é que eu lhes ia dizer? 
voltando-se para o cunhado:
- ouve lá… tu não fazias o mesmo?
- fazia...
- pois não, não tem mesmo mal nenhum - eu só invejo é essa vossa discrição, ou contenção, masculina.

sic notícias

"por causa da primeira não casei com o meu pai e por causa da segunda não casei com o seu pai."

informação sic

"quando a minha morreu só ela é que morreu. mas, quando passados muitos anos, morreu o meu pai a minha mãe também morreu. agora, com a morte da minha irmã, foram os meus pais que morreram também."

sic

"olha é a segunda vez que venho a este cemitério. a primeira foi para o teu pai..."

21.5.10

this is so home.

17.5.10

profissão: proprietária

tudo começou quando, por um conjunto de circunstâncias várias, tive pela primeira vez acesso a um comando um comando de televisão. mas só agora, tantos anos depois dessa rudimentar epifania doméstica, as formas, cada vez mais fálicas, destes verdadeiros instrumentos de objectiva libertação (feminina? pessoal?) me saltam assim tão à vista.