5.5.10

prazer visual



a redução destas pinturas a formas elementares, neutras,
é uma espécie de som estrutural com uma ressonância. 
é o próprio objecto sem outro significado. 
é unicamente "um som". é pintura pura.


américo filipe sobre os trabalhos que tem expostos
na sala do veado (museu nacional de história natural), lisboa.

4.5.10

'glória do vulgar' and 'sexagenária proprietária' are now friends with other six 'senhorias'

voltei a encontrar, no facebook, onde havia de ser? a proprietária urbana e sexagenária sem filhos, com prédios nos mesmos distritos que eu, mas com mais inquilinos, que me confessou não ter casado com comunhão total de bens por causa dos filhos do marido.

3.5.10

nova identidade

sou uma sexagenária sem filhos e proprietária (urbana) nos distritos de lisboa, setúbal e faro. mantenho ao todo 10 inquilinos aos quais estou ligada por contratos de naturezas diferentes (comercial, habitacional, de comodato)  e de variadas durações (um mês, cinco anos, uma vida). a alguns dos meus inquilinos não estou ligada por qualquer contrato mas é como se estivesse.
há alguns anos passei a pagar iva, o que tenho de fazer de três em três meses, mas isso não parece ser um problema pois quando o paguei já o recebi.
quanto ao irs, nunca recebo aquilo a que as pessoas chamam "receber o irs", só o pago o que costuma acontecer por esta altura do ano.
não sei se falta mais alguma coisa, o imi e as taxas de conservação de esgotos, talvez? gostava de falar nas obras coercivas mas para isso tinha de me alongar e entrar pelo valor das rendas e lá chegava o cheiro a esturro do restaurante do lado por isso fico-me por aqui.
de resto, achava que já tinha tudo o que era costume dizer naquelas circunstâncias (não achavas rosavas?)

2.5.10

what's in your mind?

a falta que me farias se me faltasses.

1.5.10

1 de maio (dos precários)




post nº1500 *

quando aqui há bastante tempo atrás constatei a minha forte apetência pela monodomia e confessei as minhas variadas dificuldades e contrariedades em (man)ter duas casas, desconhecia este provérbio francês: "qui a deux femmes perd son âme, qui a deux maisons perd la raison".
agora, e apesar de me saber a ocupar um lugar que não me é destinado (o ponto de vista sendo, claro, o do masculino - espécie de género universal e "natural", ou sexo cultural, da língua), percebo pela primeira vez o que se passa em migo nos últimos tempos: nada mais nada menos que um verdadeiro e grave split de personalidade provocado pela persistência do viver sempre na casa em que já, ou ainda, não vivo.
parece ser uma impossibilidade de aceder ao presente o que, não admira, deve ser causa suficiente para a perda de razão. mesmo para um ser humano do género feminino (e de orientação heterossexual).


* por razões óbvias este post esteve para se chamar nuits de pleine lune mas, por razões umas mais óbvias do que outras, não foi assim chamado.

30.4.10

área inútil

ao terceiro telefonema inquirindo as razões do que, aos olhos dos meus queridos interessados, aparece como um fenómeno bastante invulgar - evidente aumento de massa corporal (maior tamanho, mais superfície) com redução de peso útil e maior leveza de movimentos, físicos e psíquicos, achei que devia uma explicação tanto quanto pública: é que passei uma tarde com uma amiga! uma amiga que é simultaneamente nova e velha: nova porque nunca foi, na verdade, minha amiga; velha porque há anos que sonho em ser amiga dela.
quando nos despedimos não dissemos o que teríamos dito se, em vez de sessenta tivéssemos apenas seis anos - "vamos ficar amigas uma da outra?" - mas para mim foi tal e qual como se tivéssemos perguntado isso mesmo e ouvido responder que sim, que íamos ficar amigas. e foi a parir daí que eu comecei a crescer em tamanho e a diminuir em peso útil. nada de extraordinário portanto.

para a ls

a minha própria área útil, ou talvez deva dizer antes, a área que, na e da minha pessoa me era útil, aumentou esta tarde de forma absolutamente  improvável e impensável ainda esta manhã. estou mais vasta e fa(u)sta:   sinto os ombros mais largos, as costas altas e direitas, a respiração faz-se fácil e profunda, até o coração me parece maior, como se naturalmente dilatado. nesta nova dimensão de mim vai-me ser difícil dormir na minha cama de pessoa e meia.

29.4.10

área útil

contratos, acções, procurações, imóveis, arrendamentos, áreas brutas, brutalidades, fiadores, despejos, obras, obras, obras, agulhas e seringas, tacos, processos judiciais, ikea, pladur, processos emocionais, remax e mais remax e novamente remax, estudo comparativo de mercado, prédios, apartamentos, obras coercivas, obras, dobras, sobras. andaimes, jaimes, senhora aida e dona zaida. advogados, contabilistas,  iva, adse (com e sem), multicare, dores de dentes, desvitalização, confusão, cocktail anti-depressivo, estimulante cerebral, olcadil, metropolitano linhas de todas as cores, enjoos matinais, cansaços e outros arregaços. faqueiro, trem mas de cozinha, copos, gliropos, chávena e caneças. serviços, anúncios, renúncios, prenúncios, expressos da rede expresso, medições e cortinados. sufás de cama sem cama, em módulos, com cadeira longa, braço à esquerda, nódoas negras, pernas inchadas, colestorel, o mundo, o coma, a cama, o nascituro, o moribundo, o bebe velho, são miguel, preservativos ao papa, kick me pró adriano, pintura interior, bichas de chuveiro, bichos, encorajamento positivo.
se não são os 300 metros quadrados anda lá muito perto.

27.4.10

interessantíssimos (e continuando o 25 de abril mood)

estes quatros documentários que ontem vi na cinemateca (a que pertence, com poucas alterações, o texto abaixo):
"Herdade do Zambujal" (1975) documenta a ocupação de uma herdade e a sua administração pelos trabalhadores, mas também pelo próprio modo de produção colectiva do filme (assinado pela UPC nº1 do Instituto Português de Cinema
"Pintura Colectiva" regista um modo de empenhamento comunitário que se multiplicou um pouco por todo o país, mas aqui representado numa configuração “erudita”, juntando nomes sonantes da cena artística e cultural portuguesa dos anos setenta: Noronha da Costa, Fernando de Azevedo, Joaquim Rodrigo, Lourdes Castro, Costa Pinheiro, Eduardo Batarda, António Palolo, e dezenas de outros artistas plásticos, e ainda Raul Rego, João Bénard da Costa e o grupo de teatro A Cornucópia.
"Madanela" (1977), de Manuel Costa e Silva, documenta uma festa religiosa com características “laicas” (não seriam antes pagãs?) e inscreve-se, como tantos outros filmes sobre o mundo rural português do mesmo período, nas tentativas de corrigir a imagem folclorizada do “povo” veiculada durante a ditadura.
(...) exibe a urgência etnográfica típica dos registos de uma cultura em desaparecimento (ou pelo menos vista como tal).
"Guiné-Bissau: Independência" (1977), de António Escudeiro, completa este panorama das questões “quentes” do pós-25 de Abril com a sua síntese histórica sobre a independência da Guiné Bissau, que percorre a história do país desde a sua colonização até à admissão na ONU, passando pela guerra de libertação e pelo complexo processo negocial após o 25 de Abril.