29.4.10

área útil

contratos, acções, procurações, imóveis, arrendamentos, áreas brutas, brutalidades, fiadores, despejos, obras, obras, obras, agulhas e seringas, tacos, processos judiciais, ikea, pladur, processos emocionais, remax e mais remax e novamente remax, estudo comparativo de mercado, prédios, apartamentos, obras coercivas, obras, dobras, sobras. andaimes, jaimes, senhora aida e dona zaida. advogados, contabilistas,  iva, adse (com e sem), multicare, dores de dentes, desvitalização, confusão, cocktail anti-depressivo, estimulante cerebral, olcadil, metropolitano linhas de todas as cores, enjoos matinais, cansaços e outros arregaços. faqueiro, trem mas de cozinha, copos, gliropos, chávena e caneças. serviços, anúncios, renúncios, prenúncios, expressos da rede expresso, medições e cortinados. sufás de cama sem cama, em módulos, com cadeira longa, braço à esquerda, nódoas negras, pernas inchadas, colestorel, o mundo, o coma, a cama, o nascituro, o moribundo, o bebe velho, são miguel, preservativos ao papa, kick me pró adriano, pintura interior, bichas de chuveiro, bichos, encorajamento positivo.
se não são os 300 metros quadrados anda lá muito perto.

27.4.10

interessantíssimos (e continuando o 25 de abril mood)

estes quatros documentários que ontem vi na cinemateca (a que pertence, com poucas alterações, o texto abaixo):
"Herdade do Zambujal" (1975) documenta a ocupação de uma herdade e a sua administração pelos trabalhadores, mas também pelo próprio modo de produção colectiva do filme (assinado pela UPC nº1 do Instituto Português de Cinema
"Pintura Colectiva" regista um modo de empenhamento comunitário que se multiplicou um pouco por todo o país, mas aqui representado numa configuração “erudita”, juntando nomes sonantes da cena artística e cultural portuguesa dos anos setenta: Noronha da Costa, Fernando de Azevedo, Joaquim Rodrigo, Lourdes Castro, Costa Pinheiro, Eduardo Batarda, António Palolo, e dezenas de outros artistas plásticos, e ainda Raul Rego, João Bénard da Costa e o grupo de teatro A Cornucópia.
"Madanela" (1977), de Manuel Costa e Silva, documenta uma festa religiosa com características “laicas” (não seriam antes pagãs?) e inscreve-se, como tantos outros filmes sobre o mundo rural português do mesmo período, nas tentativas de corrigir a imagem folclorizada do “povo” veiculada durante a ditadura.
(...) exibe a urgência etnográfica típica dos registos de uma cultura em desaparecimento (ou pelo menos vista como tal).
"Guiné-Bissau: Independência" (1977), de António Escudeiro, completa este panorama das questões “quentes” do pós-25 de Abril com a sua síntese histórica sobre a independência da Guiné Bissau, que percorre a história do país desde a sua colonização até à admissão na ONU, passando pela guerra de libertação e pelo complexo processo negocial após o 25 de Abril.

26.4.10

obrigada diogo farias

é com tanto gozo que deixo aqui a ligação para o ebattuta

24.4.10

vivó 25 de abril!

comemorado hoje, dia 24, com jantar da CDU, no chinicato (e onde havia de ser se tudo agora nesta terra vai ter à nova megatrópole que dá pelo nome de chinicato?). para lá vou com o meu amigo zp que mui camarada e simpaticamente se ofereceu para me vir buscar. para cá logo se vê...

facing north

em vez de me ditar, ditar,
e pejar-me em vez de des-pejar;
a linha azul no espaço da linha vermelha,
no lugar - a mente - do traje adequado a peso e altura, um hábito que não me serve;
em vez das meias brancas, os pés descalços na calçada à portuguesa,
a aspereza continuada do algarvio em vez da intermitência brasileira;
perdida toda a subtileza do incenso em prol da força bruta da pimenta e da canela.

23.4.10

severinas retirantes*

uma tem a forma e o comportamento de um bebé recém nascido que, quando não está a engolir a papa, está ferrado a dormir, muito sossegadinho no seu pequeno berço esverdeado.
outra, já rapariga-mulher, sempre imóvelmente alongada na cama branca, a trança preta repousante em cabelo de cinza, espera pelo beijo do príncipe desconhecido que a acordará, finalmente para não voltar nunca mais a adormecer.
a terceira é uma menina assustada, olhos de susto azul,  boca rosada sempre entreaberta, só com dois dentes, inúteis, espetados para a frente, e um velo cabelo encarapinhadamente branco - de boneca.

 * cujas vozes caladas, depois da partida culpada dos filhos, atravessam a noite do tempo entoando em silêncio solene o refrão que vos compete: morremos de morte igual, mesma morte severina

22.4.10

mistura de infantilidade pateta com patética senilidade

poderá explicar o divertimento que sinto por estar à beira de plantar aqui o meu 1500 post(o); ou o meu entusiasmo por ter hoje doze "seguidores" (esta palavra é que tende a matar o entusiasmo, tenho de arranjar outra para o proteger da morte...) em vez dos dez que tinha na semana passada.
e há mais.

21.4.10

what's in your mind (à la facebook com inspiração seusseana)

havia coisas paradas e havia coisas a mexer. coisas paradas!? se eram realmente coisas como podiam estar paradas?  as coisas estão sempre em movimento, as coisas andam naturalmente de um lado para o outro, num movimento natural que começa a leste e se dirige para o oeste (sem contudo nunca lá chegar...). pronto então não seriam coisas... mas  e o que poderiam ser aquelas coisas, em tudo iguais às outras mas que não se mexiam? poderiam ser paragens? acho que não pois, como sabes, toda a paragem, sendo paragem de (um) movimento, é ainda uma parte do movimento. parar é andar, uma paragem é um movimento parado, se quiseres um movimento sem movimento. como deves imaginar, isso é que é o auge do absurdo, o movimento ou (se) move ou não é movimento.não sei, sei que havia coisas e que, entre elas, umas era como se estivessem paradas e outras era como se estivesse em movimento. agora - que se tenham posto todas a andar ao mesmo tempo... isso não há como crer (nem querer).