15.4.10

facelook

tenho andado divertida no/com o  FB. depois de tanto mal ter dito dele tem-me feito confusão este volte-face da minha parte. e tenho-o atribuodo, um pouco simplisticamente decerto, ao recente encontro com os micas (por maior que seja o meu amor por eles e o prazer que tive em revê-los e re-ouvir-lhes as vozes que tão e tanto conheço).
hoje, no entanto, ao deparar no canto inferior esquerdo, com a conjunção, a todos os títulos insólita, de um querido amigo taiwanês, ao lado da minha grande amiga i.m., encimados por um ex cunhado de quem gosto muito e por uma vizinha das noites mais antigas de verão, caí desamparada no dia em que fiz 60 anos - e no centro daquela megalómana 'filosofia' que esteve subjacente à sua organização: juntar, por uma vez, na vida, todas as pessoas da minha vida (o que depressa percebi ser ou equivaler a juntar todas as minhas vidas numa pessoa.
se não me sair a sorte maior para poder voltar a comemorar, dessa forma inclusiva, outra idade redonda que ainda venha a fazer, já não tenho de esperar pelo meu próprio funeral para a repetição do milagre da unidade do eu - basta-me abrir o facebook  e olhar para o canto inferior esquerdo: está lá a minha vida toda* que não é outra coisa senão as caras das pessoas com cujas vidas ela ela se foi fazendo.

*obsessiva como sou, temo que a partir de agora, os "meus amigos" no fb aumentem para números inverosímeis.

crying day


13.4.10

smiling day

smells coffee but tastes bread

em dois dias duas reclamações

num restaurante da A2 devido à mais que péssima qualidade do almoço e ao preço exorbitante do mesmo; numa agência da CGD, onde às 11 da manhã, a não colocação de dinheiro na máquina, tinha provocado uma bicha de cerca de 20 pessoas, a maioria delas "só" para levantar dinheiro na máquina.
a ambos fui respondida, com prontidão e educação, sendo que no primeiro caso me foi oferecido um voucher para uma refeição, para duas pessoas, num dos muitos restaurantes espalhados pelas auto-estradas da brisa; no outro, me foi creditado na conta o valor de 5 euros, que tinha sido obrigada a pagar por uma segunda via da caderneta, documento que não trazia (ia à caixa multibanco com o cartão multibanco) sem a qual, soube na altua, não poderia levantar dinheiro ao balcão.
nas duas situações, tive de remar, e de que modo, contra mim própria, pois o meu propósito reformador deixou duas jovens funcionárias em lágrimas, um pranto que os meus reiterados pedidos de desculpa - enquanto escrevia no livro de reclamações - não abrandou nem secou.

continuação (na qual se continua a encontrar tudo o que há-de continuar)

Emotionally the Chinese are mild, frugal, sober, gregarious, industrious, of remarkable endurance, but at the same time cowardly, revengeful, very cruel, unsympathetic, mendacious, thievish, and libidinous. They are taciturn, but spasmodically vehement. But they are also excessively courteous and ceremonious, with a great capacity for gratitude, and a very high sense of mercantile honour.
Intellectually the Chinese are non-progressive; though in modern times some have shown a desire for Western learning, most have always been and still are slaves to uniformity and mechanism in culture. They are unimaginative, imitative, lacking free individuality and creative power, slow in organizing, lacking reflection and foresight, vague in expression, unable to take a comprehensive grasp of a subject; they attach little importance to accuracy. They are also exceedingly suspicious and superstitious.
Regarding Chinese character as a whole, we find in it many traits common to races in early stages of development, such as the inferiority of size and structure, the larger alimentary system with smaller nervous power; a relative hardiness, with less acute sensations resulting from injurious actions than in the case of more highly developed types, and consequent weakness of the feelings prompting to effort and leading to improvement. With less plasticity of nature there is earlier maturity. The Chinese consciousness is relatively simple, exhibiting periodic impulsiveness, improvidence, little-developed altruistic sentiments giving rise to lack of sympathy and to cruelty and extreme conservatism. The Chinese mind is deficient in conceptions of general facts and distant results ; its ideas are rigid and concrete rather than abstract, lacking definiteness and accuracy. The absence of constructive imagination is shown by the few inventions recorded during a very long national life.

11.4.10

eu e tus: uma glossolalia

IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII/ ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ/ OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO/ UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU/ EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE/ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA/ ÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕÕ

10.4.10

eu e tus: uma sincronia

para mim, como um dom, tinhas representado, no empedrado do pátio da d. ana, apenas com pedras pretas, um belo peixe estilizado,
a meu pedido, pensavas na resolução do buraco - através do qual se via o azul acima do céu mas que de facto conduzia ao imenso abismo branco abaixo - defeito de origem no novo estrado da cama de casal (onde eu dormia solteira) e pelo qual eu tanto temia pudesse cair uma neta nossa cujo pequeno corpo adorado, me escapasse dos braços com que o agarrava, enquanto ela dormia abraçada a mim,
era a mim que acusavas pelo actual desenho absurdo do largo, construído como tinha sido, por um operário a quem eu,

pela mesma ignorância de sempre mas nascida noutro lado, tinha dado carta branca,

era eu que te chamava a mim, por uma qualquer necessidade imperiosa de te confessar, ao mesmo tempo, a minha forte vontade de afastamento e o meu imenso desejo de aproximamento.

9.4.10

facebook

e depois ainda há o FB. em cujo território me aventuro raramente mas sempre produtivamente na medida em que não há incursão que nele faça que não me mostre de onde me vem o medo de lá entrar: primeiro descobri, com espanto aflito, que não havia um chão estável onde pudesse parar, à chegada, quanto mais voltar a pôr os pés no mesmo sítio - o FB é um rio sempre  a correr mas sem destino certo; depois ouvi a algazarra das vozes - uma multidão de pessoas, todas minhas conhecidas mas desconhecidas entre si, a falarem animadamente das coisas mais díspares que imaginar se possa - o FB é uma feira de aldeia onde conhecemos toda a gente mas ninguém em particular; finalmente hoje descobri que não posso lá entrar sem ser vista por todos quantos lá estão nesse exacto momento (e está sempre alguém) e, o que é mais terrível para a minha incapacidade social, ser interpelada - o FB é um pbx (ainda existe tal coisa?) sem operador, razão pela qual qualquer chamada, feita ou recebida, é susceptível de ser interrompida a todo o momento por uma outra chamada - nesta última experiência ainda consegui manter, durante minutos, conversas, em separado, mas ao mesmo tempo, com uma amiga, uma sobrinha, uma neta e um ex aluno, mas a certa altura, a conjugação entre o medo de uploadar para um o que era destinado a outra, a aflição por deixar três penduradas por estar a atender a um, a vergonha por me enganar em todas as mensagens no desejo de escrever rápido,  levaram me a fugir a sete pés sem me despedir de ninguém e convencida de que só mentes muito jovens ou muito flexíveis têm estaleca para aquilo. o FB não é para velhos...
só a imobilidade silenciosa deste blog me convém.

flickr-blog

muito engraçada a diferença entre as atitudes implicadas/proporcionadas pela manutenção destas coisas a que chamamos blogflickr: no primeiro caso sou quase sempre eu a interpelar o mundo, no segundo é sobretudo o mundo a interpelar-me a mim. *


*se, como acredito, o "eu" é (parte integrante d)o mundo, esta distinção não faz qualquer sentido. é um "supônhamos"...

7.4.10

"spastic food era"

esta obsessão ainda não me atingiu. mas também conheci um doente dela.