3.4.10

monólogo famoso

(...) la tête divine de jocaste est morte (...)

sans titre

(...) on le chasse avec une extrème douceur (...)

2.4.10

sontag:




"to take a picture is to participate in another person’s (or thing’s) mortality, vulnerability, mutability", on photography (1977).

31.3.10

fotografia futura

fotografo, fotografo e fotografo: quase sempre as mesmas coisas e nos mesmos espaços; mas tanto fotografo o presente como no passado - e, em dias de mais sorte consigo fotografar-me em futuro.

28.3.10

lividez

o doente, muito magro e de pele bastate escura, vinha deitado no banco de trás do táxi que eu tinha mandado parar julgando-o vazio. ah peço imensa desculpa, não percebi que vinha com gente, disse eu mal abri a porta de trás.
o passageiro soergueu-se um pouco, a custo evidente, ao mesmo mesmo tempo que tentava encolher as pernas como que a fazer lugar para mim no banco onde viajava enrolado num leve cobertor: é difícil sabe porque sofro de incontinência urinária e sou lívido.
tinha uma voz doce e tranquila, talvez do cansaço do corpo engelhado, e os olhos enormes brilhavam-lhe como se ardesse em febre. imaginei-o a caminho do hospital enquanto voltava a pedir desculpa: o senhor por amor de deus não se incomode, eu fico à espera que passe outro táxi.

27.3.10

please help me

save my beloved iphone from this stupid speaking russian steve jobs!


25.3.10

o doente disse, sem pausa ou entoação,

que o verde do sofá onde estava sentado, na sala-consultório, lhe lembrava as grandes pradarias para cuja planura lhe apetecia fugir embora também sonhasse com a verticalidade azul das montanhas brumosas; que do mar, o que desejava era a imobilidade, e das árvores, o marulhar ao vento; que queria pôr a nu o seu corpo velho e cansado para primeiro o deixar derreter ao sol e depois devolver-lhe a forma nas águas geladas do rio; que a humana razão era o seu único vício e o  pecado original a perda da virtude das plantas e dos animais; que se sabia encarcerado numa prisão sem guardas, nem muros, nem grades, cujo portão permanecia sempre escancarado diante de si.

23.3.10

sublinhando deleuze

para quem desejar é, em certa medida, delirar - não sobre o pai ou sobre a mãe, mas sobre o mundo: "(...) le délire est géographico-politique, et la psychanalyse chaque fois elle ramène ça à des déterminations familiales; la psychanalyse n'a jamais rien compris à un phénomène de délire - on délire le monde, on ne délire pas sa petite famille (...)." anti-oedipe (1972 com guattari)

21.3.10

de consistente, só a vaidade. todo o resto é fumaça. lampejos se quisermos usar um eufemismo.
chama-se glicínio, é um tipo novo e tem um sorriso muito doce. leve reminiscência floral.