7.3.10

frase comprida

a minha avó, quando achava apropriado meditar sobre a impermanência, em vez de aproveitar os seus recursos, naturais ou adquiridos logo na primeira infância – uma hipocondria que tantas vez a punha doente e um pavor desproporcionado da morte, causa principal dos muitos sofrimentos por que padeceu em vida – mandava colocar aos pés da sua cama, uma antiga arca para moldes de chapéu, cuja forma, estreita e comprida, lhe lembrava um caixão de pessoa só.
anónimo

frase média

(…) quando o teu filho recém-nascido segura o teu dedo na sua mão tenta prendê-lo para toda a vida.
em email web-circulante

frase curta

o oposto coopera.
heraclito, 8

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sephiroth3490 (4 months ago) Show Hide
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No tiene abuela?

acc2554 (3 months ago) Show Hide
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Y porque tenia que ter una?

6.3.10

auto-retrato

não sou o género de pessoa que acha que a sua vida daria um romance mas não me custa muito imaginar que o meu blog pudesse dar uma vida.

fez-se tarde

foram de água salgada as fontes fundadoras e povoadoras da minha infância longe do rio.  só descobri a água doce quando a sua virtude emoliente já nada podia contra a aspereza dos cristais de sal entretanto entrados e entranhados na minha pele – uma crosta espessa protectora.

5.3.10

segunda ode ao iphone

o iphone cumpre a função do cigarro
e, em certos casos, da própria pastilha elástica.
à noite, serve de biberon,
de boneco de peluche, ou de fralda madurinha;
faz as vezes de valium
ou de mãe.
o seu uso substitui o anel no dedo,
as chaves no bolso,
e o caracol na testa ou atrás da orelha.
os portadores de iphone perdem todos os tiques
- o iphone é O tic.

serões na província


- queres brincar aos pais e às mães?
- pode ser...
- então eu sou a minha avó e tu és a tua mãe.
- isso é brincar aos primos...

4.3.10

para mostrar à teresa sff



passei esta tarde pela fábrica de pneus, onde o pai do pipo trabalha como operário, e tirei esta fotografia para mostrar aos amigos do rapazinho (que vive numa quinta, com os pais e com um burro, chamado cravinho, e uma velha carripana, chamada joana...)

3.3.10

queer theory

não ando nada mal comigo própria. durante o dia conversamos por tudo e por nada; há momentos em que nos rimos uma com a outra e uma da outra; por vezes até nos trocamos: eu faço de "outra" e outra faz de "eu". no grande silêncio da noite, o fogo aceso na sala, sento-me calada no sofá azul-desbotado a fazer companhia a mim própria.