21.2.10

da mente

a característica mais distintiva é sem dúvida a infinita subtileza da sua tão variegada coloração.

entusiasticamente

transcrevo * a última das sete proposições básicas que estruturam a primeira obra do mesmo filósofo, que na tradução inglesa de Pears/McGuinness, reza assim: “what we cannot speak about we must pass over in silence”. 


* manifestação do meu velho hábito de viver com e do que leio

imodestamente

parafraseio o que diz certo filósofo sobre a sua última obra, anotando aqui que este blog tem duas partes: o que nele é apresentado e ainda tudo o que eu não escrevi.*

* é aliás nesta segunda parte, que está qualquer questão realmente importante.

imediatamente

após a repentina despressurização, me caíu uma máscara que ainda hoje uso com proveito.

19.2.10

com ou sem

sem televisão, sem internet, sem telefone fixo nem dinheiro para o móvel, só com os seus próprios pensamentos, pode-se viver muito bem ou muito mal. o que não se pode é não viver como tantas vezes acontece quando se tem livre acesso a todo esse material de entre tenimento e auto esquecimento.

16.2.10

festival al-mutamid

música sefardita e judia, no centro cultural de lagos, pelo grupo "lafra", da europa central (bulgária, hungria e croácia). 
actuação integrada na nona edição do festival cujo patrono é um poeta nascido em Beja, em 1040, nomeado governador de Silves aos 12 anos e, depois da morte do pai, rei de sevilha até ser destronado pelos almorávidas e exilado para marrocos onde acabou por morrer.

13.2.10

confissão pública

"ir ao facebook"* é uma experiência sempre diferente mas que nunca deixa de ser perplexante.
das primeiras vezes recordo a sensação de ter entrado numa sala apinhada de pessoas desconhecidas, todas a falarem ao mesmo tempo, um bruabá medonho e completamente irrelevante no qual não me apeteceu participar nem sequer entrar para escutar fosse o que fosse.
depois passei por uma fase em que me interessou ver o que é que lá se fazia/dizia e como é que se fazia/dizia mas a instabilidade febril do que se vê-lê quando se entra - na verdade, a falta de controlo sobre o processo de mudança do mundo, no caso o do FB -  afastou-me de lá receosa do que não percebia como mudava nem porquê.
admitida a diferença radical entre o FB e o parado-controlado ambiente de trabalho do blog, atrevi-me então a entrar e aceitei escrever nas paredes, responder a recados, até colocar fotos. percebi como se "aceitavam" amigos e também cheguei a pedir um ao outro. o que, à la longue, acabou por mudar a face da coisa: agora, assim que entro só vejo caras conhecidas, a maioria delas bonitas e/ou favorecidas pela fotografia, quase sempre a sorrir como se fosse para mim. simpático e acolhedor.**
seguiu-se a fase do ataque por parte da farmville  e, em menor grau, de uns aquários - páginas e páginas de adultos, como eu, todos meus amigos, repito, a dizerem, sem destinatário aparente, o que me pareciam ser umas inanidades profundas (se é que tal coisa pode descer abaixo da sua própria superfície sem espessura) sobre as suas alegadas actividades agrícolas ou pecuárias.
segue-se depois um curto intervalo, que corresponde à descoberta de alguns amigos "perdidos", e que salva o FB do total descrédito em que caíra aos meus olhos, dando início a uma nova tentativa, deixa lá ver se acho graça a isto; período durante a qual soube que uma amiga perdida estava longe e outra estava perto mas nunca soube o que havia de fazer com estas informações, para além de acknowledgar os factos. é nesta fase que percebo que toda a gente que eu conheço, mesmo os que (não) conheço só de vista, ou só de nome, estão no FB. não percebi ainda bem o que é que lá estão a fazer mas estão, talvez como eu, apenas a marcar presença, ou talvez para não perderem-perdermos a face, na verdadeira acepção da palavra.
em menos de um ano o "meu" FB passou da central station, em nova york num escuro dia de inverno, para a meia praia, ao meio dia, a meio de agosto. não aparece uma cara que eu não reconheça, todas me conhecem a mim embora possam não se conhecer entre si, estão todos a tagarelar sem eu perceber muito bem com quem, oiço bocas e mando bitaites, um texto infindável que se desenrola no vazio, isto é fora de qualquer contexto susceptível de he dar um sentido ou uma direcção. páro num toldo para me sentar e dizer olá a alguém que me parece lá estar abrigada, e logo do toldo de baixo me salta uma pessoa que não vejo há muitos anos, efusiva e a querer saber tudo ao mesmo tempo. enquanto que converso com as duas google, num outro tab, como é que fico invisível no FB?, há um botão verde cá em baixo, cica para te pores off line, não encontro o botão, mas aponta o telefone da minha mãe, leio com pronúncia de tagalog, gostava era que você restaurasse, escrevo eu, as conversas começam a girar em torno umas das outras, a anular-se umas às outras, o ruído cresce até se tornar insuportável, a minha cabeça vai explodir, as flores, o mundo, as obras... são tiros, bala tracejante, a luz impiedosa do sol a pique, fujo eu é que disparada, a areia estupidamente fina a escaldar-me os pés, esta praia não tem rochas, há para o mar, mas à beira de água é só gente conhecida a conversar entre si, geralmente a dois, quase todos primos, simpáticos, todos me conhecem de pequena, eu conheço todos de pequena, mas agora já sou grande, eles também, como aqui, como ali, no coração da luz, the horror!  

o perigo das flores

há flores que mal caiem em cima de nós tombam imediatamente para o chão ponto final há outras que nos ficam coladas às roupas e vírgula quanto mais nos tentamos desembaraçar delas vírgula mais a sua fragrância floral se entranha na nossa pele ponto final parágrafo

12.2.10

paliçada




ao escrever 'eu' o eu deixa logo de ser (m)eu.