10.2.10

mais concordâncias enfáticas

mas desta vez com os posts completos, sobretudo com aquilo que "boldo"
Forma e conteúdo: É a luta do momento: forma e conteúdo. João Pinto e Castro diz — e diz bem — que "uma das ideias básicas do Estado de Direito é que não há factos com relevância jurídica fora dos procedimentos aceites para os apurar". Se isto permite condenar a divulgação de escutas, não permite ignorar o óbvio: a divulgação existiu e agora não há como não lidar com o facto da sua divulgação. O formalista rejeita discutir o conteúdo por causa do modo como ele surgiu, isto é, lida com a divulgação recusando-se a comentar o que é divulgado. Mas esta posição é contraditória: não podemos responder a uma realidade negando a sua existência. Insistir na pureza da forma é um suicídio político.
Factos e interpretações: Neste debate entre Vera Jardim e Morais Sarmento temos duas posições que valorizam o que noticiou o Sol. Mas, lá está, há valorizar e valorizar. Enquanto que Vera Jardim reconhece o óbvio — este ambiente é insustentável e é urgente que se faça luz sobre isto para que estas questões se esclareçam — e se cinge aos factos, Morais Sarmento vai para além dos factos conhecidos e tenta transformar aquilo que é sua interpretação num veredicto definitivo sobre a culpabilidade do primeiro-ministro. Morais Sarmento já sabe o que aconteceu, e por isso acusa: Sócrates faz o mesmo que Chavez e Berlusconi. Quem fala assim não tem o direito de dizer que fala em nome do Estado de Direito.

9.2.10

concordo enfaticamente

com esta análise na qual se afirma que "a opinião, em Portugal, se deixou barricar entre os que são contra o eng. Sócrates (e usam tudo para o atacar) e os que o defendem a todo o custo (e usam tudo para o justificar)".
e confesso discretamente as dificuldades morais e políticas (se é que não são exactamente as mesmas) que tenho sentido, a nível pessoal e subjectivo, em escapar a este absurdo clima maniqueísta fomentado pela gritaria barata dos Media e pela silenciosa transformação, no parlamento, dos "partidos da oposição" na Oposição.

help

maia? porto? mac com safari?

uma cõ tradição viva

apesar de - e certamente devido ao meu horror por todas as formas de omnipotência - desgostar que os vivos se arroguem o direito de determinar o que “deve” acontecer, depois e em consequência da sua morte (da distribuição dos bens e dos males, * passando pelo tratamento e posterior descartamento dos restos mortais,** até ao planeamento e gestão da cerimónia fúnebre***) acontece-me sonhar com a maravilha que seria a minha despedida do mundo – oh diabo, isto é perspectiva de vivo, nesse momento será só o “mundo” a despedir-se de “mim” - se ela fosse celebrada ao som leve, fresco e borbulhante, absolutamente cristalino, das gargalhadas da minha neta mimi.

* no entanto agrada-me a ideia de deixar previamente pago o funeral.
** mas prefiro o processo lento da decomposição ao momento fulgurante da incineração. 
*** ainda que preferisse ser eu a única decoradora da minha última sala de visitas. 

7.2.10

reposição da ordem

a esplanada do jardim da estrela reabriu: lá fora são apenas as clássicas mesas e cadeiras de metal, verde-escuras e soltas umas das outras; dentro, é a madeira, de cores e formas diferentes, num estilo sem estilo, que mistura country, alternativo, vintage, veggie e, creio, é o responsável pelo ligeiro ar de desmazelo do novo espaço, apanágio de qualquer sala realmente confortável; há revistas num carrinho, sopa e pratos relativamente baratos e muito possíveis. mas o teste final só acontecerá com o pequeno almoço, no próximo domingo.

o fazer do fazer

eu faço como a minha mãe fazia e a mãe dela recomendava às filhas, e às filhas das filhas, que fizessem no que fizessem. como é de fazer entre nós, pequenas mulheres de grandes sabedorias.

5.2.10

as efabulações do coelho


são para continuar em qualquer outro lugar...
até porque acabada esta história é ainda o coelho paulo que nos fica na memória.

não é nada

foi então que a senhora de la palisse, reafirmando o seu pensamento, disse (a fazer-se retórica): "porque será que não há nada que remeta para nada?" apenas porque o nada não existe minha senhora. além disso, se existisse, não seria nada.

3.2.10

o coelho e a ciência

o coelho paulo não é desses que nos saltam à frente dos passos no quintal das traseiras; também não é dos que nos aparecem diante dos olhos debaixo de uma cartola vazia. não é de artes foleiras nem criatura de magia: o coelho paulo é cavalheiro de sabença, um príncipe da renascença.

partidas e chegadas: (ou o último exame de uma licenciatura)

- como é que era zé? senhora, partem tão tristes meus olhos...?
- ...por vós, meu bem.
- sim... e o resto?
  que nunca tão tristes vistes
  outros nenhuns por ninguém...
  tão tristes, tão saudosos,
  tão doentes da partida,
  tão cansados, tão chorosos,
  da morte mais desejosos
  cem mil vezes que da vida.
  partem tão tristes, os tristes,
  tão fora de esperar bem
  que nunca tão tristes vistes
  outros nenhuns por ninguém.
é isso. tão bonito. e tão triste.