20.1.10

yan de 'andorinha' e li de jasmim

só tão depois do encontro é que índices soltos - mac e pc, vida no japão, domínio de sete línguas, origem sulista, fluência portuguesa e inteligência juvenil  - me iluminam de muito súbito.  quero dizer-lho mas o seu não dito faz-me escrever. assim: se dantes já tinha apreciado uma cristina, ainda menina, como não gostar agora de uma yanli, a rapariga que vi? e assado (quase) só para nós as três: 咱倆又在一起了,真是有緣分!

um espaço, dois tempos



19.1.10

esta é uma daquelas histórias



com que se costuma encher a caixa de correio dos (in-)amigos. mas eu, que faço do não fazer forwards uma vaidade pessoal, resisti. mas, achando que alguns (dos amigos) talvez gostassem de a ler, posto-a e dedico-a às minhas vets.
quem souber russo pode ir directamente a este site e poupa a leitura de outro quite long article.

17.1.10

bodas sem sangue

a noite passada fui (como convidada) ao segundo casamento de um embaixador reformado. a mulher com quem ele se casava era demasiado parecida com uma outra mulher que eu conhecia bem mas de cuja identidade não me consegui lembrar. tanto a cerimónia civil, que foi privada, como o copo de água, em que participei ainda que com sono e sem grande vontade de comer ou beber, decorreram de noite o que chocou os convidados mais velhos e agradou às crianças, que, como se sabe, gostam de ir tarde para a cama. os noivos, que já viviam juntos há muitos anos, partiram para lua de mel com um filho crescidote e um primo colateral de meia-idade. uma vez chegados ao destino final mandaram à família uma mensagem sms, assinada pelos quatro, comunicando que desta vez tinham conseguido agarrar o pássaro. o que me levou a deduzir terem ido de avião. é verdade que também podiam não estar a metaforizar tendo efectivamente caçado uma ave marinha, caso a viagem tivesse sido feita de barco,  ou até um pardalito do campo se por acaso tivessem tomado a auto estrada do norte. pelo sms, cujo fundo era colorido e  muito decorado, pareciam contentes.

mais palabras para julia

viva a rosinha, viva a rita, viva a camila. e viva a erica também. viva o coro e vivam todas as meninas e os meninos do coro. os que são, os que foram e os que hão-de vir a ser. viva cantar, viva musicar, viva dançar e pular. e viva também descansar e sonhar. e imaginar. e inventar. viva viver! viva trabalhar! viva pouco preguiçar e não viva aldrabar nem desconfiar. não viva nada viver pouco. viva viver muito!

16.1.10

satori

tinha de reserva uma pequena colecção de hipóteses mais ou menos plausíveis para explicar a minha progressiva dificuldade em entrar, e ficar sentada, quieta, amorosa e concentrada, dentro de um bom livro - trate-se de um amor por toda a vida repetido ou de uma nova paixão nascida do momento: a) resultado natural do envelhecimento; b) efeito secundário do anti-depressivo; c) consequência da erva fumada na juventude; d) influência da má visão na atenção.  hoje, depois de encontrar, neste artigo, o que me parece ser a palavra final sobre a verdadeira origem do meu progressivo mal, deitei fora todas as explicações que tinha em stock mas guardei o imac (onde escrevo e através do qual publico este post) assim como o iphone (através do qual recebi e no qual li o texto iluminador).

one week ago



de resto,

não só aceito a ideia búdica fundamental de que o 'eu', isto é, a mente, é uma ilusão, como te digo mais: a mente mente; a mente não passa de uma mentira de mente.

15.1.10

one part wisdom...

gosto de ser parte integrante da paisagem, de me integrar no todo, de me indistinguir no cenário. não gosto de ser e quando sou gosto de ser como se não fosse.

14.1.10

corporologia


A palavra corpo tem essa força de evocação junto dos sonhadores impenitentes que se impõe ao nosso imaginário, como lisura, pontuada de pregas, rugas, linhas e pilosidades, interrompida por bocas, ângulos e curvas, de uma paisagem matinal e exterior; mas, ao mesmo tempo, sugere, um secreto labirinto de canais, poços, bolsas, camadas fibrosas, membranas diáfanas, líquidos espessos e infinitas circunvoluções, que compõem uma paisagem crepuscular e interior. O corpo é o nosso interior e o nosso exterior. Portáteis. Nele se escrevem marcas das dores e dos prazeres, dos ímpetos e dos recalcamentos, mal conhecidos dos detentores da ciência, mas matéria de erro e errância dos amantes.
A superabundância de apelos, mais ou menos publicitários – nunca inofensivos – à conservação patrimonial do corpo em estado de perpétua juventude – sob o signo da máxima, vagamente tingida de eugenismo, mente sã em corpo são – camufla um paradoxo que as paisagens terrestres nos ajudam a desvendar, por vezes quase a decifrar. É que, em boa verdade, quanto mais velho, desgastado, trabalhado pela erosão um corpo parece, mais nele comparece a corporalidade, interna ou externa. Em poucas palavras, quanto mais antigo é um corpo, mais corpo é. 



tirado daqui por sugestão de pessoa amiga a quem devo, e muito agradeço, a informação.