10.11.09

eu, tu e a preposição

é a irigaray que vou buscar o argumento para justificar a minha preferência pela forma "gosto de ti" contra a sua congénere "amo-te". 
com efeito, tal como o 'to' em “I love to you” - a expressão criada para o efeito por iragaray -  na versão portuguesa "gosto de ti" (que tem o inconveniente de ser uma frase natural, i.e., não resulta de um qualquer voluntário estranhamento ou gaguejamento imposto à língua materna), apreposição 'de' funciona como uma barreira verbal contra a apropriação ou subjugação do outro. 
"gosto de ti" seria portanto uma maneira de amar sem apropriar nem subjugar o outro.
got to it?

9.11.09

tentando ser coerente,

não escrevo porque descreio no poder salvífico da(s) palavra(s).

8.11.09

trangolomango


doença real ou imaginária produzida por um feitiço ou sortilégio,
malefício das bruxas. coisa má, doença súbita ou prolongada de
causa não reconhecida como natural.
"dar o tangolomango": morrer, desaparecer, sumir inexplicavelmente.

7.11.09

o branco do dia



white on white

austeridade não impessoalidade: the trace of the artist's hand is visible 
in the texture of the paint and the subtle variations of white. the imprecise 
outlines of the asymmetrical square generate a feeling of infinite space 
rather than definite borders. 

6.11.09

sentir é estar distraído


Benhuan (本焕, brilho original), mestre budista, defende que os habitantes das grandes metrópoles deviam aprender a fangxia. isto é: a deixar cair, a estar-se nas tintas, a relativizar, a desdramatizar, a despreocupar-se, a soltar e a soltar-se. e  muitos outros verbos ou expressões de que não me lembro agora mas que também denotam a ideia de dar menos importância ao que "é importante" e mais ao que "não é".


entrevista publicada em chinês, por este jornal de shenzen  e citada em inglês por este blog sobre a china.


quase impossível dizer o que disse, sobre a hierarquia das importâncias, sem pensar no verso de alberto caeiro (por isso) usado como título deste post.

do disco "diáspora"